Os números de registros de violência contra a mulher recuaram 42,8% durante a pandemia. A comparação se dá entre abril deste ano e de 2019. Segundo dados da Secretaria de Segurança Pública do Estado de São Paulo (SSP), as ocorrências registradas no quarto mês de 2020 somaram 7.621, enquanto em igual período de 2019 houve 13.315 registros.
Apesar da diminuição, os números não devem ser comemorados. Para a coordenadora das Delegacias de Defesa da Mulher (DDMs) do estado de São Paulo, delegada Jamila Jorge Ferrari, eles provavelmente indicam que as vítimas estão com dificuldades de registrar as denúncias.
“Acreditamos que as mulheres estão registrando menos por conta da pandemia, seja devido às medidas restritivas, seja porque estão mais próximas do agressor (…). Provavelmente, quando a pandemia passar, pode haver um aumento de registros sobre fatos prévios”, diz Jamila.
Registros X Denúncias
Uma prova de que a violência contra a mulher está mais frequente do que demonstram os números é um estudo do Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP). Divulgado em abril, ele aponta alta de 44,9% nos atendimentos da Polícia Militar a mulheres vítimas de violência no Estado, passando de 6.775 para 9.817, no confronto de março de 2019 e 2020.
A diferença se explica porque nem sempre as denúncias ocorridas se transformam em registros formais, especialmente quando se trata de dano, ameaça e calúnia.
Machismo e frustração
No geral, explica a delegada, a violência contra a mulher ocorre devido à objetificação do corpo feminino. Na pandemia, junta-se a maior frustração devido ao isolamento, o desemprego e o aumento no consumo de álcool e drogas.
“O agressor acredita que a mulher é propriedade dele e ele pode fazer com ela o que quiser. Dentro da pandemia, além do machismo, vemos que ele desconta nela suas frustrações.”
Boletim virtual
Para ajudar quem esteja em situação de violência, desde abril, o estado de São Paulo permite que a vítima preste queixa via internet, na Delegacia Eletrônica.
Também é possível recorrer ao 180, o disque-denúncia do governo federal, ao aplicativo SOS Mulher, do governo de SP, além das delegacias da mulher.
“No boletim eletrônico é importante fazer o registro detalhadamente (…) Vale ainda frisar que a mulher deve tentar construir uma rede de apoio, com amigos e familiares, para pedir ajuda, quando não for possível recorrer às redes oficiais”, finaliza Jamila. (Gladys Magalhães)