A trajetória de Angela Borges no fisiculturismo começou longe dos palcos e dos títulos internacionais. Em entrevista à TV GMG, durante o Arnold Sports Festival South America 2026, a atleta relembrou que o primeiro contato com a musculação surgiu como resposta ao bullying na adolescência.
Segundo ela, a busca inicial não tinha relação com competição, mas com autoestima. Na época, o objetivo era ganhar massa muscular e se encaixar em um padrão que considerava mais feminino.
“Eu era extremamente magrinha… pesava 43 kg com 1,67 m. Eu entrei na musculação porque sofria bullying na escola”, afirmou.
O que começou como uma tentativa de mudança física se transformou em uma carreira de mais de duas décadas, com mais de 60 títulos de primeiro lugar e protagonismo na consolidação da categoria Wellness no cenário mundial.
Da origem no Brasil ao palco do Olympia
Angela acompanhou de perto o crescimento da Wellness, categoria criada no Brasil e que ganhou espaço internacional ao longo dos anos. Ela foi a primeira atleta a conquistar uma vaga no Mr. Olympia na categoria.
Segundo a atleta, o processo exigiu dedicação constante e participação em competições ao redor do mundo para dar visibilidade à modalidade.
“Para que essa categoria chegasse ao Olympia, eu tive que competir em muitos países, em todos os continentes”, disse.
Apesar do extenso currículo, o título do Mr. Olympia não veio. Ainda assim, ela encerrou a carreira competitiva com resultados expressivos, incluindo top 2 e top 3 no principal palco do fisiculturismo mundial.
A rotina de um “atleta 24 horas”
Ao falar sobre os bastidores da carreira, Angela destacou que o maior desafio não está apenas nos treinos, mas na disciplina contínua exigida pelo esporte.
Segundo ela, o fisiculturismo exige controle total da rotina, o que impacta diretamente a vida pessoal e social dos atletas.
“No fisiculturismo, cada minuto conta. Qualquer refeição, qualquer litro de água a mais ou a menos, tudo influencia”, explicou.
A atleta também ressaltou que uma das maiores dificuldades foi lidar com a distância da família em momentos importantes.
“Uma das maiores dificuldades é você perder o aniversário da tua mãe, dos teus pais. Fazer com que a família entendesse isso foi difícil”, afirmou.
Educação e responsabilidade fora dos palcos
Após encerrar a carreira competitiva, Angela passou a direcionar sua atuação para a formação de novos profissionais e produção de conteúdo educativo.
Formada em Educação Física, ela atualmente atua como professora de pós-graduação e defende que a experiência prática é essencial para quem ensina.
“Só inspirar não era o suficiente. Eu precisava ensinar, direcionar e ajudar outras mulheres a conquistar resultados”, disse.
Para ela, não basta conhecimento teórico. A vivência no esporte é um diferencial indispensável.
“É inadmissível ensinar algo sem viver aquilo, sem passar fome, sem treinar até a falha”, afirmou.
Empreendedorismo e novos projetos
Além da atuação acadêmica, Angela também investe no empreendedorismo. A atleta anunciou a expansão da rede de academias World Gym, com a abertura de uma unidade em São Paulo.
Segundo ela, o projeto busca integrar tecnologia, estrutura e áreas voltadas à recuperação física, acompanhando as novas demandas do mercado.
“O que eu quero é trazer tudo aquilo que falta nas outras academias, com inovação e um ambiente adequado para alta performance”, explicou.
Legado além dos troféus
Mesmo com uma carreira marcada por conquistas, Angela afirma que seu maior reconhecimento vem do impacto gerado na vida das pessoas.
Durante o Arnold Sports, ela relatou encontros com seguidores que mudaram hábitos e superaram problemas de saúde através do esporte.
“Nenhum desses troféus é mais gratificante do que receber o carinho de alguém que mudou de vida por causa do meu conteúdo”, disse.
Para a atleta, esse retorno reforça que o legado construído vai além dos palcos e permanece mesmo após o fim da carreira competitiva.
