Duas aves brasileiras estão entre as mais barulhentas do mundo, segundo estudo; cantos passam de 120 decibéis e rivalizam com britadeiras

Pesquisa da Universidade de Massachusetts Amherst analisou 123 espécies de aves e identificou vocalizações extremamente intensas da araponga-de-garganta-nua e da seriema-de-pernas-vermelhas

Araponga

Araponga-de-garganta-nua (Procnias nudicollis) é uma ave sul-americana conhecida pela vocalização aguda e penetrante/Alessandher Piva/Wikimedia Commons

O Brasil abriga duas aves capazes de produzir sons tão intensos quanto os de equipamentos usados em obras. Um estudo da Universidade de Massachusetts Amherst, nos Estados Unidos, identificou a araponga-de-garganta-nua e a seriema-de-pernas-vermelhas entre as candidatas ao título de aves mais barulhentas do mundo.

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Os pesquisadores analisaram as vocalizações de 123 espécies e encontraram registros que ultrapassaram 120 decibéis. Para efeito de comparação, esse nível de pressão sonora se aproxima do barulho de uma britadeira ou de uma motosserra em funcionamento, dependendo das condições de medição.

Publicado na revista científica Evolution em setembro de 2026, o trabalho investigou características físicas e fatores evolutivos que podem ajudar a explicar por que algumas aves conseguem produzir sons muito mais intensos do que outras.

Araponga-de-garganta-nua tem vocalização impressionante

A araponga-de-garganta-nua (Procnias nudicollis) é uma ave sul-americana conhecida pela vocalização aguda e penetrante. O estudo registrou uma amplitude de 122,4 decibéis para a espécie, em uma medição padronizada a um metro de distância.

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O resultado coloca a ave entre os destaques da pesquisa. O trabalho também amplia o conhecimento científico sobre a intensidade dos sons produzidos por diferentes espécies, já que 113 das 123 aves analisadas não tinham registros anteriores de volume vocal catalogados.

A intensidade do chamado chama a atenção, mas os pesquisadores também procuram entender como características do corpo influenciam a produção sonora. O tamanho da ave e a abertura do bico aparecem entre os fatores associados a vocalizações mais potentes.

Seriema-de-pernas-vermelhas também está entre as mais barulhentas

A seriema-de-pernas-vermelhas (Cariama cristata) também aparece entre as candidatas ao título. Encontrada em áreas abertas do Brasil, a ave chama a atenção pela aparência, pelas pernas longas e pelas vocalizações fortes.

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Diferentemente de um simples ranking de animais barulhentos, a pesquisa procurou identificar relações entre a anatomia das aves e a intensidade máxima de seus chamados.

Os resultados apontaram que espécies maiores e com aberturas de bico mais amplas tendem a produzir sons mais intensos.

Os cientistas, no entanto, não encontraram evidências suficientes para confirmar todas as hipóteses investigadas. A equipe avaliou, por exemplo, se a mobilidade durante o voo, o tipo de ambiente e o sistema de acasalamento poderiam ajudar a explicar a intensidade das vocalizações.

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Como os pesquisadores mediram os cantos das aves?

O trabalho reuniu gravações feitas entre dezembro de 2018 e janeiro de 2025, em Massachusetts, nos Estados Unidos, e em diferentes regiões do Brasil. Para comparar os resultados, os pesquisadores utilizaram equipamentos capazes de medir o som e a distância entre a ave e o ponto de gravação.

Outras pesquisas também já foram realizadas com outros enfoques, como o de definir os cantos de aves mais bonitos.

Essa etapa é importante porque a intensidade sonora registrada depende da distância entre a fonte e o equipamento. Um chamado muito alto próximo da ave pode parecer bem menos intenso a centenas de metros.

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A pesquisa também encontrou uma grande diferença entre as espécies. Enquanto um dos menores valores registrados ficou próximo de 64 decibéis, as vocalizações mais intensas ultrapassaram 120 decibéis.

Apesar dos resultados, os autores ressaltam que ainda faltam dados para compreender completamente por que algumas aves desenvolveram vocalizações tão potentes. Mais do que definir uma campeã, o estudo amplia a base científica para investigar como esses animais produzem sons e como a comunicação influencia sua evolução.