Quem viveu a internet dos anos 2000 provavelmente se lembra da ansiedade para receber um depoimento, da disputa para aparecer entre os melhores amigos e das comunidades que pareciam representar a personalidade de cada usuário.
Agora, uma das redes sociais mais marcantes daquela geração voltou ao centro das atenções e pode ganhar uma nova versão. Orkut Büyükkökten, criador da plataforma, lançou uma campanha para reunir apoiadores interessados em uma internet mais humana, baseada em amizades e comunidades, seguindo a linha do Hello, lançado no Brasil sem muito sucesso em 2016.
A iniciativa reacendeu a esperança de quem sente saudade da antiga rede. Entretanto, existe um detalhe importante: o Orkut ainda não voltou oficialmente, e o projeto não tem data de lançamento. O site atual permite demonstrar apoio à proposta, mas não oferece uma conta na futura plataforma.
Orkut marcou a infância e a adolescência dos anos 2000
Lançado em 2004, o Orkut rapidamente conquistou espaço no Brasil e se tornou parte da rotina digital de milhões de pessoas. A plataforma permitia criar perfis, adicionar amigos, publicar recados e participar de comunidades organizadas por interesses em comum.
Algumas dessas páginas viraram verdadeiros símbolos culturais. Comunidades como “Eu odeio acordar cedo” transformavam situações cotidianas em motivos para reunir desconhecidos e amigos.
Além disso, os scraps e os depoimentos tinham um peso especial nas relações virtuais. Receber uma mensagem pública de um amigo ou descobrir o que alguém havia escrito no perfil era parte da experiência.
O Orkut também ficou conhecido pelos perfis personalizados, pelas listas de amigos e pelas brincadeiras que movimentavam a plataforma.
Para muita gente, era o primeiro contato com uma rede social capaz de aproximar colegas de escola, familiares e pessoas que moravam longe.
Por que o Orkut pode voltar?
Na campanha divulgada em outubro de 2026, Büyükkökten defende a criação de uma rede social voltada a conexões genuínas, comunidades e relações entre pessoas reais.
O fundador também critica o modelo de plataformas que priorizam o engajamento e o tempo de tela. A proposta prevê utilizar inteligência artificial para ajudar usuários a conhecer pessoas, reencontrar amigos e aprofundar amizades, sem substituir o contato humano.
Por enquanto, porém, o projeto ainda está em fase de mobilização. O cadastro no site oficial gera um cartão de apoiador, mas não garante uma conta, a reserva de um nome de usuário ou o acesso à futura rede, que seria a reativação do antigo endereço.
O fim de uma era na internet
O Google encerrou o Orkut em setembro de 2014, após 10 anos de funcionamento. Na época, a plataforma já havia perdido espaço para concorrentes como o Facebook, que conquistaram uma parcela crescente dos usuários.
Mesmo depois do encerramento, a rede continuou presente na memória de quem cresceu publicando recados, disputando posições na lista de amigos e entrando em comunidades que resumiam seus gostos e manias.
Agora, a possibilidade de uma nova versão desperta uma dúvida de se ainda existe espaço para uma rede social com a mesma sensação de pertencimento em uma internet dominada por vídeos curtos, algoritmos e inteligência artificial.
Uma década depois, o Orkut continua vivo na memória de quem fez da plataforma uma parte importante da própria história na internet.






