“Sicário”, o que significa: palavra latina que define assassinos por encomenda. Ela voltou às manchetes com as investigações da Polícia Federal contra o banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, em 2026.
Resumo da matéria:
Do Império Romano ao noticiário policial brasileiro, o termo carrega mais de dois milênios de história ligada ao crime e à violência.
Quem acompanhou o caso Master esta semana se deparou com a palavra repetidas vezes — e ficou com dúvida. A seguir, a resposta completa: da etimologia ao personagem real que colocou o termo de volta em destaque.
A origem da palavra “sicário”
A palavra vem do latim sicarius, derivado de sica — um tipo de punhal curvo muito usado na Roma Antiga.
Os sicarii escondiam esse punhal sob as vestes e agiam em locais públicos. Atacavam no meio da multidão e desapareciam antes de serem identificados.
A prática era tão grave que, em 81 a.C., o Império Romano criou uma lei específica para punir esses crimes: a Lex Cornelia de Sicariis et Veneficiis, que condenava tanto os assassinos quanto quem os contratava.
O termo também ficou associado aos Sicarii, um grupo radical judaico do século I que atuava na região da Judeia, então sob domínio romano. Conforme registros da Enciclopédia Britannica, eles carregavam adagas escondidas e assassinavam, em meio à multidão, pessoas vistas como colaboradoras do Império.
O que dizem os dicionários
Segundo o dicionário Michaelis, “sicário” define alguém “cruel, sanguinário” ou um “assassino de aluguel”.
Já o Dicio — Dicionário Online de Português traz a definição como “matador de aluguel” ou “facínora” — palavra que também descreve uma pessoa perversa e cruel.
Na prática, um sicário é alguém pago para matar ou intimidar outras pessoas — um vilão da vida real que age por contrato, não por impulso.
O “Sicário” no caso Vorcaro
No caso que tomou conta do noticiário em março de 2026, “Sicário” não era uma descrição genérica. Era o apelido de Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, também referido como Felipe Mourão.
Ele era apontado pela Polícia Federal como o principal operador de confiança do banqueiro Daniel Vorcaro na chamada Operação Compliance Zero.
Mourão era o coordenador de segurança de Vorcaro e o líder operacional de um grupo chamado “A Turma” — descrita pela PF como uma milícia privada criada para monitorar e intimidar adversários do banqueiro.
O que ele fazia na prática
A PF revelou que as atividades do “Sicário” iam muito além do que o apelido sugere. Entre as funções atribuídas a ele estavam:
- Monitorar jornalistas, ex-funcionários e adversários de Vorcaro
- Extrair ilegalmente dados em sistemas sigilosos da PF, do Ministério Público Federal, do FBI e da Interpol
- Intimidar pessoas que faziam críticas públicas ao banqueiro
- Articular agressões físicas simuladas como “assaltos”
- Remover conteúdos críticos ao grupo em plataformas digitais
Segundo o portal Metrópoles, ele recebia cerca de R$ 1 milhão por mês para executar todas essas funções.
A prisão e o desfecho
Mourão foi preso em março de 2026, na terceira fase da Operação Compliance Zero — a mesma ação que resultou também na detenção de Vorcaro.
Horas após ser detido, ele tentou tirar a própria vida dentro da cela da Superintendência da PF em Belo Horizonte.
Mourão foi socorrido e levado ao Hospital João XXIII, na capital mineira. Segundo quatro fontes da PF ouvidas pelo SBT News, ele sofreu morte encefálica — condição legalmente reconhecida como morte no Brasil.
A defesa de Mourão, no entanto, negou que o protocolo de verificação de morte cerebral tivesse sido concluído, abrindo mais um capítulo de disputas em torno desse caso.
Por que o apelido “Sicário”?
No crime organizado, apelidos revelam função. “Sicário” indicava exatamente o papel de Mourão dentro do grupo: o executor — o homem que colocava as ordens em prática, inclusive as mais violentas.
Mourão tinha um histórico policial extenso antes do caso Master, com registros de estelionato, receptação e furto qualificado.
O caso ilustra como personagens extremos existem fora das telas — assim como episódios radicais que marcam a história, como o do homem mais radioativo do mundo, que sobreviveu por 83 dias após uma exposição devastadora. Situações assim mostram o quanto casos extremos estão mais próximos do cotidiano do que parecem.
Perguntas frequentes sobre “sicário”
Sicário o que significa?
“Sicário” significa assassino de aluguel ou matador por encomenda. A palavra vem do latim sicarius, derivado de sica, um punhal curvo da Roma Antiga. Hoje também descreve qualquer pessoa que age com crueldade ou violência a serviço de terceiros.
Qual é a origem histórica da palavra “sicário”?
O termo tem mais de 2 mil anos. Na Roma Antiga, os sicarii eram assassinos que carregavam punhais escondidos sob a roupa. No século I, o nome ficou associado a um grupo radical judaico que atuava contra o domínio romano na Judeia, conforme a Enciclopédia Britannica.
Quem era o “Sicário” do caso Vorcaro?
Era Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, ex-policial militar apontado pela PF como operador de confiança do banqueiro Daniel Vorcaro. Ele liderava o grupo “A Turma” e recebia cerca de R$ 1 milhão por mês, segundo o portal Metrópoles.
O que é o protocolo de verificação de morte cerebral?
É um conjunto de exames clínicos feitos para verificar se há ausência total e irreversível de atividade no cérebro. No Brasil, a confirmação de morte encefálica é juridicamente reconhecida como morte, conforme resolução do Conselho Federal de Medicina.
Sicário é a mesma coisa que assassino?
Não exatamente. Todo sicário pode ser chamado de assassino, mas nem todo assassino é um sicário. O que diferencia o termo é que o sicário mata ou age violentamente por ordem e pagamento de terceiros — o que o distingue de crimes passionais ou cometidos por vontade própria.


