Empresários e analistas debatem preocupação com juros altos até 2029 e entrada do crime organizado na política

Encontro promovido pelo LIDE, em São Paulo, contou com a presença de lideranças corporativas, investidores e analistas para debater os rumos institucionais do Brasil

Caio Junqueira, Eduardo Oinegue, Bruno Ribeiro e Rafael Cortez, no Almoço Empresarial LIDE. (Crédito: Evandro Macedo/LIDE)

O grupo LIDE promoveu nessa segunda-feira (6/7) um almoço empresarial em São Paulo que reuniu lideranças corporativas, investidores e analistas para debater os rumos institucionais do Brasil. Sob um cenário de incertezas que cercam a sucessão presidencial de 2026, os participantes debateram, dentre outros assuntos, o nó nos juros altos até 2029 e a preocupação da infiltração do crime organizado na política.

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Responsável pela análise de risco político da Tendências Consultoria, o cientista político Rafael Cortez abriu o painel definindo a taxa de juros (Selic) como a principal síntese do atual desequilíbrio macroeconômico nacional. Para ele, o custo do dinheiro no Brasil reflete, essencialmente, um arranjo político disfuncional.

Cortez destacou que, embora o modelo da Tendências trabalhe hoje com um cenário de “continuidade” e ligeiro favoritismo para a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), o próximo mandato nascerá engessado por uma mudança estrutural em Brasília: o colapso do tradicional presidencialismo de coalizão.

“Temos hoje no Brasil quase um governo tripartite entre o Presidente da República, o Presidente da Câmara e o Presidente do Senado”, explicou Cortez.

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O crime organizado e a política

Na sequência, Bruno Ribeiro, jornalista da “Folha de S.Paulo”, trouxe um alerta de segurança pública com impacto direto no ambiente internacional de negócios: a infiltração do crime organizado nas estruturas partidárias e no ecossistema político nacional.

O jornalista mencionou relatórios recentes da ABIN e recomendações do Ministério Público Eleitoral que apontam para a captura de diretórios em estados do Sudeste e conexões de facções com o garimpo ilegal na região Norte.

“As facções foram declaradas organizações terroristas pelo governo dos Estados Unidos. Se não estivermos atentos ao escolher um candidato com conexões com esses grupos, podemos expor nossa economia a sanções e represálias externas”, alertou