Há 5 anos, jornalista achou uma antiga tecelagem com teares centenários; hoje, a empresa é fornecedora da Casa Real sueca

Teares antigos, padrões tradicionais e uma história ligada à realeza ajudam a manter viva uma rara tradição têxtil sueca

Teares centenários continuam em funcionamento na fábrica têxtil de Insjön, na Suécia (Foto: Thomas Carlgren)

Teares centenários continuam em funcionamento na fábrica têxtil de Insjön, na Suécia (Foto: Thomas Carlgren)

O barulho das máquinas é uma das primeiras coisas que chamam atenção de quem chega à fábrica têxtil de Insjön, na região de Dalarna, na Suécia. Entre grandes carretéis, fios coloridos e equipamentos antigos, padrões que atravessaram gerações continuam sendo produzidos.

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O local chama atenção não apenas pela aparência histórica. Parte dos teares utilizados na produção tem quase ou mais de 100 anos e continua funcionando para criar tecidos inspirados em antigos modelos artesanais.

A história ganhou um novo capítulo quando a jornalista e apresentadora sueca Ebba Kleberg von Sydow e seu marido, Johan Kleberg, assumiram o negócio. O casal encontrou uma fábrica que estava em dificuldades e decidiu recuperar a produção tradicional.

Uma fábrica criada em 1947

A história da Insjöns Väveri começou em 1947, quando Ivar Hollstein fundou a fábrica na pequena cidade de Insjön, em Dalarna.

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A ideia inicial era apostar na produção de panos de prato. Naquele período, outras fábricas têxteis suecas estavam direcionadas à fabricação de roupas militares, abrindo espaço para o novo negócio.

Os teares foram adquiridos de diferentes lugares da Europa. Durante alguns anos, a fábrica prosperou, mas a concorrência de produtos mais baratos fabricados no exterior mudou o cenário.

Com a queda da rentabilidade, vários equipamentos antigos deixaram de ser utilizados e passaram a acumular poeira.

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Teares antigos voltaram a funcionar

Quando Ebba e Johan chegaram ao local, há cerca de cinco anos, apenas algumas máquinas ainda estavam funcionando.

A fábrica estava em uma situação delicada e havia interessados em transformar o espaço para outras finalidades. O casal, porém, decidiu seguir outro caminho: recuperar a atividade tradicional.

Atualmente, quase todos os teares voltaram à operação. A empresa afirma que alguns equipamentos têm quase 100 anos e continuam produzindo tecidos com técnicas tradicionais.

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A produção inclui peças de linho e algodão, como:

  • Toalhas de mesa;
  • Guardanapos;
  • Panos de prato;
  • Tecidos decorativos;
  • Bolsas e outros acessórios;
  • Peças para cozinha e casa.

A proposta é reproduzir padrões derivados de antigos modelos de tecelagem manual, mas utilizando as máquinas históricas.

Os padrões carregam séculos de história

Um dos aspectos mais curiosos da fábrica está nos desenhos produzidos pelos teares. Nomes como “Åhldräll”, “Munkabälte” e “Tällbergskrus” fazem referência à tradição de tecelagem da região de Dalarna e ajudam a preservar uma espécie de acervo cultural em forma de tecido.

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A própria Insjöns Väveri afirma que muitos dos padrões têm tradição de centenas de anos. A empresa procura manter essas técnicas porque os tecidos eram originalmente pensados para serem lavados, utilizados intensamente e passados de uma geração para outra.

O resultado são tecidos de alta densidade e resistência, produzidos de acordo com modelos antigos.

Uma tradição ligada à realeza sueca

A história da Insjöns Väveri também ganhou uma relação especial com a família real sueca.

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A fábrica se tornou fornecedora da corte e, após a mudança de proprietários, Ebba e Johan precisaram passar novamente pelo processo de aprovação para obter o título.

Segundo a própria Insjöns Väveri, a empresa fornece produtos ao palácio sueco desde 1980. O título de fornecedor da corte é concedido pela Casa Real e funciona como uma distinção para empresas que mantêm uma relação comercial com a instituição.

A fábrica também já produziu tecidos destinados a locais ligados à elite sueca, incluindo peças para o Palácio Sagerska, em Estocolmo.