Fachin centraliza pedidos de Defesa e PF sobre urnas para conter crise com Bolsonaro

Presidente do TSE abriu na terça-feira (21) um processo administrativo para acompanhar a fiscalização e auditoria do sistema eletrônico de votação

Ministro Edson Fachin, presidente do TSE

Ministro Edson Fachin, presidente do TSE | Antônio Augusto/ SECOM/

O presidente do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), Edson Fachin, abriu na terça-feira (21) um processo administrativo para acompanhar a fiscalização e auditoria do sistema eletrônico de votação.

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Interlocutores de Fachin disseram à Folha de S.Paulo que a medida tem dois objetivos: formalizar a entrada das entidades fiscalizadores, como a PF (Polícia Federal), e centralizar o processo na presidência do TSE, para conter eventuais crises com o governo Bolsonaro.

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Segundo o despacho, as entidades legitimadas a fiscalizar o sistema eletrônico terão prazo de 15 dias para manifestar interesse em participar das próximas etapas de fiscalização.

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“Após esse prazo, com todas as instituições inscritas, serão realizados os procedimentos necessários para dar seguimento às ações de fiscalização e auditoria”, disse o TSE, em nota.

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Podem participar do processo de fiscalização partidos políticos, OAB (Ordem dos Advogados do Brasil), Ministério Público, Congresso Nacional, STF (Supremo Tribunal Federal), CGU (Controladoria-Geral da União), PF, Sociedade Brasileira de Computação, Conselho Federal de Engenharia e Agronomia, CNJ (Conselho Nacional de Justiça), CNMP (Conselho Nacional do Ministério Público), TCU (Tribunal de Contas da União), Forças Armadas, CNI (Confederação Nacional da Indústria), entidades privadas sem fins lucrativos e departamentos de tecnologia de informação de universidades.

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A abertura do processo atende a pedidos feitos pelo Ministério da Justiça e Ministério da Defesa.

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Na sexta-feira (17), o ministro da Justiça, Anderson Torres, enviou ofício a Edson Fachin dizendo que a PF participará de todo o processo de fiscalização das urnas eletrônicas para assegurar a “integridade” das eleições de 2022.

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O envio do documento foi entendido por ministros e auxiliares no TSE como uma tentativa de criar conflito entre o governo Bolsonaro e a Corte Eleitoral.

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A leitura é feita porque a PF já participa de todos os processos de auditoria das eleições de 2022 e não encontrou nenhuma fragilidade que possa comprometer o resultado do pleito.

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Em manifestação semelhante, o ministro da Defesa, Paulo Sérgio Nogueira, disse a Fachin na segunda (20) que vai nomear os militares responsáveis por fiscalizar o sistema eletrônico de votação nos próximos dias.

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Apesar das manifestações políticas dos ministros da Defesa e Justiça, os representantes técnicos dos órgãos têm tido postura diferente na CTE (Comissão de Transparência Eleitoral).

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Nas reuniões, o general Heber Portella, nome das Forças Armadas, tem se mantido em silêncio apesar de o Ministério da Defesa pedir reuniões técnicas ao TSE para “dirimir eventuais dúvidas”.

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O técnico da PF, por outro lado, apresentou nove sugestões de mudanças no processo de fiscalização do sistema eleitoral. Quatro foram acatadas para as eleições de outubro e cinco serão avaliadas para os próximos pleitos.

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Entre as recomendações acatadas, a PF pediu a utilização de ferramentas automatizadas para inspeção do código-fonte. Das sugestões que serão consideradas para as eleições municipais de 2024, apenas uma foi parcialmente rechaçada pela equipe técnica do TSE.

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O perito da PF Paulo César Herrmann sugeriu que o teste de integridade das urnas fosse feito mediante a identificação de todos os eleitores pela biometria.

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O TSE disse que nem todos os eleitores têm a biometria coletada pela Justiça Eleitoral. “Nem por isso, [o eleitor] pode ter impedido o exercício do direito ao voto”, justificou a corte.