Família troca criação de gado por cacau e transforma pasto degradado em agrofloresta produtiva na Amazônia

Álvaro e Joselene apostaram no cultivo de cacau para recuperar uma propriedade familiar no Pará e transformar a antiga atividade pecuária em uma fonte de renda ligada à preservação ambiental

Durante décadas, a criação de gado foi uma das principais atividades econômicas associadas à ocupação da Amazônia. Grandes áreas de vegetação deram lugar a pastagens, transformando a paisagem e deixando um legado de terras degradadas.

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No município de Medicilândia, no Pará, uma família decidiu seguir outro caminho. Álvaro Fregerio Caçador e Joselene da Silva passaram a apostar no cultivo de cacau para transformar uma propriedade antes dedicada à pecuária.

Do fruto à barra

Do pasto à floresta

A propriedade de Álvaro carrega parte da história da ocupação econômica da região. Seus pais trabalhavam com criação de gado, atividade que se expandiu pela Amazônia e contribuiu para a conversão de extensas áreas florestais em pastagens.

Ao assumir a terra, o agricultor encontrou no cacau uma alternativa para continuar produzindo sem depender exclusivamente da pecuária. Ao lado de Joselene, passou a investir em um modelo que combina produção agrícola e recuperação ambiental.

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Diferentemente das lavouras convencionais, o sistema agroflorestal permite cultivar o cacau junto com outras espécies vegetais. A combinação ajuda a criar um ambiente com sombra, cobertura do solo e maior diversidade de plantas.

Chocolate que recupera terras

O cacau é uma espécie originária da América tropical e possui características que favorecem seu cultivo em ambientes florestais. Em sistemas agroflorestais, pode crescer sob a sombra de outras árvores, aproximando a produção das condições de seu habitat natural.

Essa característica transformou o fruto em uma alternativa para agricultores interessados em recuperar áreas degradadas sem abrir mão da geração de renda. Em vez de manter o terreno exclusivamente como pastagem, o produtor pode estabelecer uma plantação diversificada.

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Para famílias como a de Álvaro e Joselene, a atividade representa uma oportunidade de conciliar a permanência no campo com uma produção de maior valor agregado, ligada à cadeia de fabricação do chocolate.

Uma nova economia

O potencial do cacau ultrapassa as propriedades rurais. Em Medicilândia, cooperativas e empreendimentos ligados à fabricação de chocolate buscam agregar valor à produção e manter uma parcela maior da renda na própria região.

A expansão também despertou o interesse de empresas que oferecem assistência técnica e financiamento para agricultores interessados em converter pastagens degradadas em sistemas agroflorestais.

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Um projeto aprovado pelo Fundo Verde para o Clima em 2025 prevê recuperar 12,5 mil hectares de áreas degradadas no Pará e na Bahia, beneficiando 2,5 mil pequenos agricultores com sistemas agroflorestais.