Fernando Sastre admite pela primeira vez que bebeu antes de dirigir Porsche, tem confissão exibida em vídeo e consegue reduzir condenação em um ano e meio

Declaração apresentada durante o Tribunal do Júri também provocou reação do Ministério Público, que pretende aumentar a punição

Empresário Fernando Sastre vai a júri popular em outubro / Divulgação

Laudo pericial apontou que o veículo trafegava a 156 km/h antes de atingir o Renault Sandero. Foto: Divulgação

Fernando Sastre admitiu, durante julgamento realizado em outubro de 2026, que consumiu bebida alcoólica antes de dirigir o Porsche envolvido em um acidente fatal na Zona Leste de São Paulo. A declaração ocorreu no Fórum Criminal da Barra Funda e influenciou o cálculo da condenação pela morte de um motorista de aplicativo.

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Os riscos de dirigir após consumir bebida alcoólica e as consequências desse comportamento no trânsito

Confissão de Fernando Sastre reduziu a pena

O interrogatório de Fernando Sastre aconteceu na quinta-feira (29/10), durante o segundo dia do Tribunal do Júri. Na ocasião, o empresário reconheceu que havia ingerido álcool antes de assumir a direção do veículo.

Durante o depoimento, ele afirmou que consumiu dois drinques. Até então, Sastre sustentava que havia bebido apenas água na noite do acidente, ocorrido em 31 de março de 2024.

A mudança de versão teve consequência na sentença. A juíza Melanie Liesenberg reconheceu parcialmente a atenuante da confissão espontânea, benefício considerado no cálculo da pena.

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Sem essa redução, a condenação seria de aproximadamente 18 anos, seis meses e 28 dias. Entretanto, a magistrada aplicou uma diminuição de 1/12, equivalente a cerca de um ano e meio.

Com isso, Fernando Sastre recebeu pena de 17 anos, um mês e dez dias de prisão, inicialmente em regime fechado.

O que Fernando Sastre disse durante o julgamento?

Durante o interrogatório, o empresário afirmou que decidiu contar o que havia acontecido naquela noite. Ele também reconheceu que não tinha apresentado essa informação anteriormente.

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Sastre declarou que não existia justificativa para esconder o consumo de álcool. Além disso, pediu desculpas aos familiares de Ornaldo da Silva Viana, motorista que morreu na colisão.

A confissão, porém, não foi considerada integral pela juíza. Isso aconteceu porque o empresário admitiu ter bebido e participado do acidente, mas continuou negando que tivesse assumido o risco de provocar uma morte.

Esse detalhe é importante porque o Tribunal do Júri reconheceu o homicídio na modalidade de dolo eventual. Nesse enquadramento, o acusado assume o risco de produzir o resultado.

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Relembre o acidente envolvendo o Porsche

O acidente aconteceu na madrugada de 31 de março de 2024, na Avenida Salim Farah Maluf, no bairro do Tatuapé, Zona Leste da capital paulista.

Na ocasião, o Porsche conduzido por Fernando Sastre atingiu a traseira de um Renault Sandero. O veículo era dirigido por Ornaldo da Silva Viana, de 52 anos, que morreu após a colisão.

O passageiro do Porsche, Marcus Vinicius Machado Rocha, também sofreu ferimentos graves. Ele perdeu o baço e teve cinco costelas fraturadas.

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De acordo com o laudo do Instituto de Criminalística apresentado no processo, o Porsche chegou a 156 km/h antes da batida. O limite de velocidade permitido naquele trecho era de 50 km/h.

O Tribunal de Justiça de São Paulo confirmou a condenação e informou que os jurados reconheceram a responsabilidade do empresário pela morte do motorista e pelas lesões do passageiro.

Ministério Público e defesa devem recorrer

A condenação também provocou manifestações das partes envolvidas no processo. O Ministério Público informou que pretende recorrer para tentar aumentar a pena para mais de 20 anos de prisão.

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Os promotores consideram que a punição estabelecida ficou abaixo do que seria adequado diante dos crimes reconhecidos pelos jurados.

Por outro lado, a defesa de Fernando Sastre também anunciou que pretende recorrer. Os advogados contestam o resultado do julgamento e defendiam o enquadramento do caso como homicídio culposo, quando não existe intenção de matar nem assunção do risco.

Nessa hipótese, a pena prevista seria consideravelmente menor, entre dois e quatro anos de prisão, conforme a tese apresentada pela defesa.

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Enquanto os recursos aguardam análise da Justiça, Fernando Sastre permanece preso. A condenação estabelece regime inicial fechado e também determina sua inabilitação para dirigir veículos automotores.

O andamento do processo pode ser acompanhado pelo portal oficial do Tribunal de Justiça de São Paulo.