Um fiscal suspeito de cobrança de propina e que teve o patrimônio milionário revelado pelo jornal “Folha de S.Paulo” será suspenso por 120 dias pela Prefeitura de São Paulo. A gestão Bruno Covas (PSDB) informou que a CGM (Controladoria Geral do Município) determinou a medida “enquanto se conclui apuração de denúncia sobre hipótese de ato de corrupção”. A nota diz que a medida é para “evitar possível reiteração de conduta funcional indevida”.
Com salário de R$ 11 mil, o agente vistor Jorge Tupynambá Telles Ferreira, 53, acumulou um patrimônio na casa de R$ 12 milhões, com quase 40 imóveis em seu nome ou no de uma empresa ligada a ele, segundo levantamento feito pela “Folha de S.Paulo”. Além disso, ele é suspeito de cobrar cerca de R$ 100 mil para não atrapalhar obras de um petshop na zona sul.
“Também existe outra sindicância já concluída pela CGM, em processamento com vistas à demissão, a qual se encontra atualmente na Procuradoria Geral do Município”, afirma a gestão Covas, em nota.
De acordo com o comunicado, a Subprefeitura da Vila Mariana vai fiscalizar empreendimento comercial que, relacionado à situação em investigação, pode estar funcionando sem autorização
municipal.
A “Folha de S.Paulo” apurou que um homem procurou a prefeitura para denunciar estar sendo vítima de Tupynambá, que cobrava R$ 100 mil para não barrar um grande empreendimento na cidade.
O fiscal trabalhava na Subprefeitura da Vila Mariana, bairro nobre na zona sul, na época do episódio descrito. Um coordenador de obras da subprefeitura havia saído, e Tupynambá assumiu o posto de chefia.
Na ocasião, segundo o relato do denunciante, ele teria dito ao homem que “tudo mudou” após ter assumido o posto e insistido na cobrança do valor, pessoalmente e por telefone.
Fiscal da prefeitura desde 1989, começou a adquirir bens a partir nos anos 1990 e decolou no mundo dos imóveis nos últimos dez anos, de acordo com registros de cartório analisados pela reportagem e processos judiciais.
Apenas entre 2008 e 2015, ele declarou ter pago R$ 4,4 milhões em 17 imóveis, o equivalente a 31 anos de seu salário líquido. Os valores declarados estão abaixo da cotação do mercado, hoje em torno de R$ 7 milhões.
A situação foi revelada há um mês pela “Folha de S.Paulo”. Apesar disso, o fiscal continuou trabalhando desde então na Subprefeitura do Jabaquara (zona sul de SP).
Na ocasião, Covas afirmou que a prefeitura não “é pautada pela imprensa” e que já tinha tomado “medidas cabíveis” em relação ao assunto.
“Não pode antecipar a penalização de ninguém porque é preciso percorrer todas as etapas que o processo administrativo requer”, disse. “É preciso garantir às pessoas a defesa. Se ele tiver errado vai ser punido exemplarmente, mas, de repente, ele está certo e você já julgou ele de forma precipitada”, afirmou, referindo-se a pergunta sobre se o agente continuaria no cargo.
OUTRO LADO.
Tupynambá afirmou à reportagem que é alvo de processo de sindicância patrimonial em curso na prefeitura, “no qual foram prestados todos os esclarecimentos a quem de direito”.
“Não tendo o processo finalizado, qualquer atribuição de ilícito é mera suposição”, disse, em nota.
O fiscal afirmou que todo seu patrimônio está declarado na Receita Federal e também no sistema patrimonial da prefeitura.
(FP)