Uma megaoperação policial contra a exploração sexual infantil e o tráfico humano nos Estados Unidos terminou com 281 pessoas presas, incluindo 13 funcionários da Disney e quatro da Universal, na Flórida.
Entre os trabalhadores dos parques temáticos detidos, sete são suspeitos de tentar praticar crimes sexuais contra menores, segundo as autoridades americanas.
A investigação, anunciada na sexta-feira (30/10), foi conduzida pelo gabinete do xerife do condado de Polk, na região central da Flórida, e durou sete dias.
Batizada de Polk Around and Find Out II, a operação foi descrita pelo xerife Grady Judd como a maior ação policial infiltrada já realizada pelo departamento.
De acordo com a rede americana CBS News, os suspeitos incluem profissionais ligados a dois dos maiores complexos de entretenimento da região de Orlando, conhecida mundialmente pelos parques temáticos.
As prisões ocorreram no âmbito de uma investigação mais ampla, que também envolveu suspeitas de prostituição e tráfico de pessoas. Não há indicação de que os crimes investigados tenham ocorrido dentro dos parques.
Ex-intérprete do Mickey Mouse está entre os presos
Um dos casos apresentados pelas autoridades envolve um homem de 24 anos que já trabalhou interpretando o personagem Mickey Mouse no Walt Disney World.
O suspeito foi preso após conversar pela internet com um investigador disfarçado, que se apresentava como responsável por um menino de 13 anos.
O homem teria se deslocado até o local combinado para o encontro. Durante a abordagem, os policiais encontraram duas mochilas com fraldas, algumas com estampas da Disney.
O suspeito responde a acusações relacionadas à tentativa de encontro com um menor para atividade sexual e ao uso de meios eletrônicos para facilitar o crime.
As autoridades esclareceram que ele já não trabalhava na Disney no momento da prisão.
Outro funcionário ligado à empresa foi detido após, segundo os investigadores, marcar um encontro com um policial que fingia ser um adolescente de 13 anos. O suspeito estava com parte do uniforme de trabalho dentro do veículo quando foi abordado.
Operação resulta em 488 acusações criminais
Segundo o balanço divulgado pelas autoridades da Flórida, a operação teve duas frentes simultâneas.
Uma delas investigou adultos suspeitos de tentar encontrar crianças e adolescentes para atividades sexuais. Essa etapa resultou em 32 prisões, conforme os números divulgados pela Procuradoria-Geral do estado.
A segunda frente foi direcionada à prostituição e ao tráfico humano, com outras 249 pessoas presas.
Ao todo, os 281 detidos passaram a responder a 488 novas acusações criminais, das quais 198 são classificadas como crimes graves pela legislação americana.
Durante a investigação, também foram identificadas 11 possíveis vítimas de tráfico humano, que receberam encaminhamento para serviços de assistência.
As autoridades informaram ainda que 24 suspeitos levaram armas de fogo aos encontros organizados durante a operação.
Disney teria demitido funcionários após prisões
Durante a apresentação dos resultados, o xerife Grady Judd afirmou que a Disney colaborou com as investigações e informou às autoridades que havia demitido os funcionários envolvidos.
Além dos trabalhadores dos parques, a operação resultou na prisão de um treinador de futebol americano infantil, de um policial e de um integrante da Marinha dos Estados Unidos, segundo as autoridades.
Os casos seguem sob responsabilidade das autoridades americanas. As acusações ainda dependem de análise e julgamento pela Justiça.





