Super El Niño pode mudar cenário das chuvas em SP e acende alerta para o Cantareira

Cenário aumenta a preocupação com a recuperação dos reservatórios paulistas no período de chuvas

Apesar disso, a previsão não significa que São Paulo terá necessariamente uma nova crise hídrica/Danilo Verpa/Folhapress

O Sistema Cantareira entrou na segunda metade de agosto com 35,2% de sua capacidade e na Faixa 3 (Alerta), enquanto projeções da Administração Nacional Oceânica e Atmosférica (NOAA) indicam 95% de chance de um El Niño forte a muito forte entre outubro e dezembro.

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O cenário aumenta a preocupação com a recuperação dos reservatórios paulistas no período de chuvas. O Sistema Cantareira é o principal manancial de abastecimento da Região Metropolitana de São Paulo, e desde julho estava em queda e operando com 38,34% do volume.

Apesar disso, a previsão não significa que São Paulo terá necessariamente uma nova crise hídrica. Os efeitos do El Niño variam de acordo com a região e dependem de fatores como volume e distribuição das chuvas. O principal risco está na possibilidade de precipitações irregulares ou de um atraso no início da estação chuvosa.

Setembro costuma marcar o fim do período mais seco no estado. A partir de outubro, a entrada das chuvas passa a ser importante para a recuperação dos sistemas de abastecimento. Por isso, outubro e novembro podem ser meses decisivos para os níveis dos reservatórios.

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“Estamos diante de uma variável climática que não controlamos e de outra que podemos controlar imediatamente: o consumo. Não sabemos exatamente quanto vai chover sobre o Cantareira em outubro ou novembro, mas sabemos quanto estamos desperdiçando hoje”, afirma Wagner Carvalho, especialista em eficiência hídrica e energética.

Segundo ele, a redução do consumo não deve ser adotada apenas quando os reservatórios atingirem níveis críticos. “Crise hídrica não se administra quando falta água. Administra-se meses antes”, diz.

O Sistema Integrado Metropolitano registra atualmente 46% da capacidade, acima do Cantareira, mas também sob atenção diante da necessidade de recuperação durante o período chuvoso.

Carvalho defende que empresas adotem medidas de monitoramento para identificar vazamentos e alterações no padrão de consumo. Entre as alternativas estão sistemas de telemetria, sensores, dispositivos economizadores e tecnologias capazes de detectar perdas na rede hidráulica.

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“Uma empresa não deveria descobrir um vazamento quando recebe a conta de água 30 dias depois. Hoje conseguimos identificar alterações praticamente em tempo real”, afirma.

Em casa, medidas simples também podem ajudar a reduzir o consumo, como diminuir o tempo de banho, evitar o uso de mangueira para lavar carros, utilizar a máquina de lavar com carga completa e reduzir o uso de água potável em áreas externas.

A intensidade do El Niño prevista para o fim do ano ainda não permite determinar como ficará o regime de chuvas em São Paulo. A combinação entre a evolução do fenômeno e o comportamento dos reservatórios, no entanto, deve ser acompanhada nos próximos meses.