Green card por R$ 200 mil: brasileiros ajudam a derrubar esquema que oferecia uniões com americanos nos EUA; saiba como atuava

Dois brasileiros colaboraram com autoridades americanas para desmantelar rede que promovia uniões falsas em troca do green card

Casamentos eram montados para convencer autoridades americanas de que relacionamentos eram verdadeiros (Foto: Departamento de Justiça do Distrito de Massachuset)

Casamentos eram montados para convencer autoridades americanas de que relacionamentos eram verdadeiros (Foto: Departamento de Justiça do Distrito de Massachusetts)

Dois brasileiros tiveram papel decisivo para desmontar uma rede que organizava casamentos falsos nos Estados Unidos para facilitar a obtenção do green card. O esquema funcionava em Massachusetts há cerca de 12 anos.

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Segundo o Departamento de Segurança Interna dos Estados Unidos, os envolvidos cobravam aproximadamente US$ 40 mil, cerca de R$ 200 mil, por cada casamento arranjado entre imigrantes e cidadãos americanos.

Como funcionava a operação, em resumo

A Procuradoria formalizou acusações contra seis cidadãos americanos por fraude matrimonial e conspiração relacionada à permanência de estrangeiros no país de forma irregular. Todos os casos apresentados pelos investigadores envolvem brasileiros.

Casamento tinha contrato

Um dos brasileiros que ajudaram a investigação conhecia o funcionamento da rede por dentro. Ele entrou nos Estados Unidos em 2019 com visto de turista e permaneceu no país depois que o documento perdeu a validade.

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Em 2024, após receber uma indicação de um motorista de aplicativo, o brasileiro procurou Jennifer Gonzalez, de 43 anos. Apontada pelos investigadores como líder do esquema, ela teria organizado seu casamento com a americana Erica Daniels.

As condições chegaram a ser formalizadas por meio de um contrato. Outra parte do esquema também incluía uma rodada completa de fotos do suposto casamento, com direito a figurantes contratados para atuarem como familiares e amigos.

Daniels, segundo a investigação, já havia sido casada com outro brasileiro. Ela teria se separado desse homem apenas um mês antes de realizar o novo casamento. Foi essa nova tentativa de matrimônio que a colocou no radar das autoridades.

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Brasileiro virou informante

Depois de passar pelo esquema, o brasileiro começou a colaborar diretamente com os investigadores americanos. A pedido das autoridades, ele indicou outro brasileiro interessado no suposto serviço e ajudou a documentar uma nova negociação.

As conversas foram gravadas. Durante os contatos, Gonzalez teria oferecido outro casamento por valor semelhante, desta vez com uma mulher identificada como Chreise Alejandro, de 39 anos.

Líder também se casou

A própria Jennifer Gonzalez teria recorrido ao método que oferecia aos clientes. Em 2019, ela se casou com um brasileiro que estava há dez anos nos Estados Unidos sem um visto válido.

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Os investigadores classificaram a união como fraudulenta. Entre as evidências citadas estão pedidos de benefícios federais nos quais Gonzalez não apresentava o brasileiro como marido.

Em uma conversa monitorada pelas autoridades, ela também teria afirmado que mantinha outro casamento verdadeiro há mais de 20 anos. Gonzalez dizia que pretendia usar o dinheiro obtido com o esquema para adquirir imóveis na República Dominicana.

Prisão e possíveis penas

A operação terminou com cinco integrantes da suposta rede presos em 21 de outubro. Jennifer Gonzalez, Erica Daniels, Chreise Alejandro, Amara Pugh e Jessica Tavares foram detidas em Massachusetts. O sexto acusado, Jaylin Hill, já cumpria pena estadual por um crime envolvendo arma de fogo

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Os envolvidos respondem, conforme cada caso, por fraude matrimonial, conspiração para cometer fraude e por abrigar imigrantes em situação irregular. 

As acusações relacionadas a acolher estrangeiros ilegalmente podem render até dez anos de prisão, enquanto fraude matrimonial e conspiração para praticá-la têm pena máxima de cinco anos. 

Também estão previstas multas de até US$ 250 mil e até três anos de liberdade supervisionada. Por enquanto, ninguém foi condenado no processo federal, e os acusados são considerados inocentes até eventual decisão judicial. 

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O Departamento de Justiça também informou que a investigação permanece em andamento, deixando aberta a possibilidade de novos desdobramentos sobre uma operação que, segundo as autoridades, realizava de 18 a 20 casamentos fraudulentos por ano.