Os contratos de trabalho de Kashim Chowdhury, de 55 anos, chegaram a somar 183 horas semanais, segundo a promotoria britânica. A carga ultrapassa em 15 horas a duração de uma semana inteira, incluindo noites e fins de semana. Ele responde a nove acusações de fraude por supostamente esconder até cinco empregos públicos simultâneos.
Segundo a cobertura do julgamento pelo The Independent, Chowdhury recebeu quase 350 mil libras de oito empregadores entre fevereiro de 2020 e setembro de 2023. A acusação sustenta que o trabalho remoto permitiu manter funções sobrepostas sem informar adequadamente os órgãos envolvidos.
O britânico nega intenção criminosa. Durante o julgamento no Tribunal da Coroa de Southwark, em Londres, reconheceu erros nas informações que forneceu ao disputar vagas, mas afirmou que enfrentava sofrimento psicológico e insegurança profissional.
Oito empregadores, cinco empregos simultâneos
Os números apresentados ao júri descrevem situações diferentes: oito instituições o empregaram ao longo do período investigado, enquanto o acúmulo teria chegado a cinco funções em tempo integral ao mesmo tempo.
Chowdhury começou a trabalhar para a prefeitura de Tower Hamlets em fevereiro de 2020. Depois, em abril de 2021, assumiu uma função no Departamento de Meio Ambiente, Alimentação e Assuntos Rurais, conhecido como Defra. Segundo os relatos apresentados ao tribunal, os dois vínculos coexistiram por mais de um ano.
Outras contratações envolveram instituições de saúde, o Ministério do Interior e o Departamento de Negócios e Comércio. Em maio de 2023, ele estaria recebendo salários de cinco empregos simultâneos.
Licenças médicas e entregas atrasadas
Para a promotoria, o servidor omitiu informações sobre sua situação profissional ao se candidatar a novas funções. Além disso, teria apresentado atestados médicos a alguns órgãos enquanto continuava trabalhando para outros.
Gestores também relataram atrasos e problemas nas entregas. Conforme a reportagem do The Telegraph, reproduzida pelo AOL, uma supervisora da Agência de Segurança Sanitária afirmou que recebeu um relatório incompleto, com trechos copiados de outros documentos. Ela e uma colega precisaram corrigir o material durante o fim de semana.
Já Chowdhury contestou críticas ao seu desempenho e declarou que alguns superiores sabiam dos outros trabalhos. Também afirmou que havia combinado a execução de tarefas à noite e nos fins de semana.
Réu nega maquiagem branca
Uma reunião virtual em maio de 2023 levou ao tribunal outra alegação: a de que o britânico teria usado maquiagem branca para parecer doente diante de uma gestora.
No relato apresentado ao júri, ela descreveu uma diferença entre a cor do rosto e a do pescoço, além de uma substância que começava a se desfazer na testa. Chowdhury negou ter usado maquiagem ou exagerado os sintomas. Disse que estava resfriado naquele dia.
Ao explicar suas decisões, o réu afirmou que recebeu diagnóstico de transtorno de estresse pós-traumático em 2015 e voltou a apresentar sintomas em 2021. Segundo ele, a piora da saúde da mãe agravou seu sofrimento, e o trabalho funcionava como uma forma de enfrentar aquele período.
Até 22 de outubro, o julgamento continuava, até então, sem veredito.






