Cerca de um mês após o desaparecimento de sua filha, Emmarae de 14 anos, Frank Gervasi rompeu a porta de um iate em Nova York. Lá dentro estava sua filha, após “26 dias de inferno”, como o próprio descreveu, ele a resgatou com as próprias mãos.
O pai chegou até a embarcação depois de receber uma pista anônima sobre o possível paradeiro da adolescente. Em vez de apenas aguardar a chegada das autoridades policiais, Frank foi até o local indicado e fez a invasão forçada.
Pista levou ao iate
Após o desaparecimento da filha em 9 de dezembro, Frank iniciou uma campanha de busca em suas redes sociais com vídeos todos os dias. Neles, o pai implorava por informações sobre o paradeiro da filha e chegou a oferecer uma recompensa de US$ 15 mil.
Foram semanas de espera e angústia até receber uma pista concreta: Emmarae supostamente estava em um iate a alguns minutos dele. Para confirmar a veracidade do seu relato, a mulher descreveu as tatuagens da adolescente e indicou em qual porto a embarcação estava.

Frank avisou a polícia sobre as pistas de Comiskey e foi informado de que unidades policiais estavam sendo encaminhadas ao local. Apesar disso, o homem temeu que as autoridades não chegassem a tempo e decidiu agir sozinho.
Segundo seu testemunho, Frank arrombou a entrada do iate, invadiu a embarcação e encontrou sua filha sozinha atrás de uma cortina. Ambos se encaram e ela parecia surpresa de que ele a tinha encontrado. Ambos se abraçaram e choraram.

Investigação complexa
Após obter acesso à menor, a polícia começou a reconstruir os acontecimentos que levaram ao seu desaparecimento. Segundo a investigação, o caso se mostrou complexo, pois não era um simples caso de sequestro de menor de idade.
Emmarae Gervasi era uma jovem problemática que sofria de dependência química. A menor fazia parte de um programa chamado PINS (Pessoas em Necessidade de Supervisão) e estava supervisionada por uma tornozeleira eletrônica.

O histórico da jovem com drogas começou em 2023, aos 13 anos, quando conheceu Danny St. Louis. Segundo a promotoria, o adulto a introduziu ao crack e cocaína e estimulou a dependência para controlá-la e explorá-la sexualmente.
Na manhã do dia de seu desaparecimento, ela entrou voluntariamente no carro de Alton Harrell, de 35 anos, com quem trocava mensagens há meses. Eles se deslocaram para uma casa abandonada em Bellport, na qual ela foi abusada sexualmente em troca de drogas.

Teia de abusos
Após esse primeiro contato, Emmara passou a ser tratada como uma mercadoria entre diversos homens adultos que a abusavam sexualmente.
Apesar de ter saído de casa voluntariamente com Harrell, a promotoria considera que, a partir daquele momento, ela estava em situação de sequestro. Após dias sendo abusada alternadamente, ela chegou ao seu destino final: o iate The Phoenix.
A embarcação de propriedade de Francis Buckheit se tornou a morada da jovem de 13 de dezembro até seu resgate em janeiro. Dentro dela, a menor foi abusada pelo próprio Buckheit e por outros homens.
Além disso, o dono do iate e uma cúmplice, Elizabeth Hunter, produziram vídeos sexuais explícitos de Emmarae. O material foi utilizado como divulgação para outros homens com interesse em relações com a jovem em troca de dinheiro ou drogas.

O que aconteceu aos acusados?
O caso resultou em uma série de acusações contra cerca de nove pessoas por crimes relacionados ao desaparecimento e à exploração sexual da adolescente.
Entre as sentenças mais pesadas está a de Jacquelyn Comiskey, que deu a pista a Frank. A mulher foi condenada a 12 anos de prisão e mais 20 anos de supervisão após a soltura.
Ela se declarou culpada de tráfico sexual de criança, promoção da prostituição e colocar uma menor em risco. Além dela, três homens que entraram em contato com Emmarae também foram punidos:
- Kevin McDonald recebeu seis meses de prisão e 10 anos de liberdade condicional após admitir estupro em segundo grau.
- Ralph Knowles foi condenado a 364 dias de prisão por colocar uma criança em risco, além de receber, em outro processo, pena de sete anos por venda de drogas.
- Daniel Burke, acusado de sequestro e estupro, morreu enquanto estava preso preventivamente em julho de 2026 e, por isso, não chegou a ser julgado.
As outras figuras centrais do caso, como Francis Buckheit, dono do The Phoenix, e Alton Harrell, o primeiro abusador, ainda não receberam suas sentenças e estão sob custódia.
Ambos enfrentam acusações de sequestro em primeiro grau e, se condenados pelo crime mais grave, podem receber 25 anos à prisão perpétua. Harrell chegou a rejeitar uma proposta que previa 15 anos à prisão perpétua, optando por ir a julgamento.
Além deles, existem outros réus que estão sob custódio até o julgamento. Dentre eles estão:
- Bunice Knight: acusado de crimes sexuais e relacionados a drogas; a promotoria afirma que Comiskey levou Emmarae até sua casa em troca de crack
- Elizabeth Hunter: acusada de tráfico sexual infantil e de produzir/utilizar imagens sexualmente explícitas da adolescente
- Daniel Soto: posteriormente incluído na acusação de 83 crimes; acusado de estupro em segundo grau e de colocar uma criança em risco
- Anthony Wright: também acrescentado posteriormente; acusado de estupro, colocar uma criança em risco e contribuir para a prostituição de uma menor
- Robert Eccleston: acusado de sequestro em segundo grau e estupro







