Um morador de Świnoujście, no noroeste da Polônia, entrou em uma floresta para colher frutos silvestres e voltou com um objeto que pode ajudar a esclarecer um mistério sobre a Segunda Guerra Mundial. Entre as árvores, ele encontrou uma cratera, fragmentos de alumínio e restos de munição queimada.
A suspeita é de que o material pertença a uma aeronave aliada derrubada há mais de 80 anos. O modelo ainda não foi identificado, mas detalhes encontrados nas peças apontam para um avião britânico.
A descoberta ganhou ainda mais popularidade por conta de outro achado feito nas proximidades. Em 2009, parte da asa de um bombardeiro Lancaster foi retirada do Mar Báltico, a menos de um quilômetro do ponto localizado agora.
Cratera encontrada
O homem percebeu que o solo estava bastante remexido e decidiu olhar a área com mais cuidado. Perto da depressão no terreno, havia chapas metálicas rebitadas, partes de uma estrutura de alumínio e cartuchos queimados.
Ele recolheu um dos fragmentos soltos e o levou ao Museu da Defesa Costeira, instalado no Forte Gerhard. A construção prussiana do século XIX fica em Świnoujście, cidade portuária próxima à fronteira com a Alemanha.
Segundo Wiktor Czeszewski, funcionário do museu, o formato das chapas, os rebites e os vestígios de estruturas aeronáuticas mostraram que não se tratava de uma sucata comum.
Munição indica a origem
A primeira pista veio dos cartuchos encontrados no local. Especialistas identificaram munição do calibre .303 British, usada em metralhadoras instaladas em aeronaves da Força Aérea Real Britânica durante a Segunda Guerra.
A informação aproximou os fragmentos de um avião aliado, mas ainda não permitiu apontar o modelo. A confirmação depende de uma análise mais ampla da área e de outras peças que podem permanecer enterradas.
Código apareceu no cobre
Depois de limpar parte do material, os funcionários encontraram a marca “T7” em um tubo de cobre. O mesmo código aparece em documentos técnicos da Força Aérea Real e identifica tubos sem costura usados em sistemas de óleo, combustível e gás.
A conexão presa à peça também chamou atenção. Ela se parece com um acoplamento Avimo de alta pressão empregado em aeronaves britânicas, inclusive em componentes dos motores Rolls-Royce Merlin.
Esses motores equiparam alguns dos aviões aliados mais conhecidos da guerra, como o Spitfire, o Hawker Hurricane e o Avro Lancaster. Por isso, o tubo reforça a origem britânica dos destroços, mas não prova sozinho que o avião encontrado seja um Lancaster.
Asa originária do Báltico
A possibilidade surgiu porque o museu já guarda uma peça desse bombardeiro. Em 2009, um pescador retirou do Báltico um trecho de asa com cerca de cinco metros. O ponto também ficava a menos de um quilômetro da nova área de destroços.
O Lancaster era um bombardeiro pesado de quatro motores, operado por sete tripulantes e usado principalmente em ataques noturnos contra alvos alemães. A aeronave entrou em combate em 1942 e se tornou uma das principais armas do comando de bombardeiros britânico.
Para Piotr Piwowarczyk, diretor do museu, existe a chance de a asa ter caído no mar enquanto a parte principal do mesmo avião atingiu a floresta. Ainda é apenas uma hipótese. Sem números de série ou componentes que permitam cruzar os dois achados, não há como afirmar que pertencem à mesma aeronave.
Local foi protegido
O museu isolou a área e avisou instituições responsáveis por sepulturas de guerra. Uma investigação profissional deverá verificar o que existe sob o solo, preservar os fragmentos e procurar elementos capazes de identificar o avião.
Também não está descartada a presença de restos mortais da tripulação. Essa possibilidade exige cuidados específicos durante qualquer escavação e pode transformar o local em uma sepultura militar.
A identidade da aeronave e o destino de seus tripulantes continuam sem resposta. A investigação deverá revelar se os fragmentos pertencem ao mesmo Lancaster cuja asa foi retirada do Báltico em 2009. Até lá, uma simples busca por frutos silvestres pode ter reaberto um mistério enterrado há mais de oito décadas.








