Brasileira supera barreiras e transforma paixão por cavalos em carreira científica nos Estados Unidos

Especialista em neurologia equina saiu de Minas, fez doutorado no Kentucky e hoje pesquisa medicamentos veterinários no Tennessee

: Izabela Rocha transformou a paixão por cavalos e neurologia em uma carreira dedicada à pesquisa veterinária nos Estados Unidos. (Foto: Divulgação)

: Izabela Rocha transformou a paixão por cavalos e neurologia em uma carreira dedicada à pesquisa veterinária nos Estados Unidos. (Foto: Divulgação)

Fraqueza, falta de coordenação e alterações musculares podem comprometer os movimentos de um cavalo. Para a médica-veterinária Izabela Rocha, estudar sinais como esses uniu duas paixões que carregava desde a graduação: os animais e a neurologia.

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Formada pela Universidade Federal de Lavras (UFLA), a mineira deixou o Brasil em 2019 para cursar doutorado na University of Kentucky. Concluiu a formação em 2024 e permaneceu na instituição como pesquisadora de pós-doutorado até o início de 2026.

Hoje, no Tennessee, ela participa do desenvolvimento de medicamentos veterinários e leva para a pesquisa clínica a experiência acumulada com neurologia equina.

Duas paixões, um caminho

Desde o início do curso de medicina veterinária, eu tinha duas paixões: cavalos e neurologia”, conta Izabela.

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A escolha ganhou forma depois da graduação, concluída em 2016. Entre 2017 e 2019, ela fez residência em clínica médica de equinos na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).

A aproximação com a pesquisa norte-americana, porém, havia começado antes. Em 2013, Izabela estudou na University of Kentucky e estagiou no Rood & Riddle Equine Hospital, em Lexington. A experiência abriu contato com estruturas especializadas e pesquisadores da área.

Doença guiou os estudos

Foi na University of Kentucky que Izabela conheceu Steve Reed, referência em neurologia equina e um de seus mentores. Por meio dele, chegou ao pesquisador Dan Howe e a um projeto sobre mieloencefalite protozoária equina, conhecida pela sigla EPM.

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A enfermidade neurológica pode provocar justamente os sinais que passaram a ocupar suas pesquisas: fraqueza, falta de coordenação e alterações musculares. Ao longo da carreira acadêmica, a brasileira se dedicou ao diagnóstico, ao tratamento e à patologia da doença.

Em janeiro de 2026, Izabela assinou como primeira autora um estudo publicado no American Journal of Veterinary Research. O trabalho abordou compostos experimentais com potencial para prevenir e tratar a EPM.

Pesquisa aplicada no Tennessee

Depois do doutorado e do pós-doutorado, a veterinária assumiu uma nova função na East Tennessee Clinical Research. Na organização dedicada ao desenvolvimento de medicamentos veterinários, trabalha como responsável técnica e pesquisadora clínica.

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A mudança levou o conhecimento reunido em hospitais, laboratórios e universidades para uma etapa mais próxima da aplicação na saúde animal. Também acrescentou outro capítulo a uma carreira construída entre adaptação cultural, domínio do idioma e contato com profissionais de diferentes países.

Barreiras entre animais grandes

O caminho ainda expôs obstáculos enfrentados por mulheres que trabalham com animais de grande porte. Para Izabela, dúvidas sobre capacidade física ou técnica não podem definir a atuação profissional.

“Segurança no manejo, conhecimento e confiança são fundamentais para superar essas barreiras. A competência profissional não pode ser medida apenas pelo porte físico”, afirma.

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A trajetória ganha evidência antes de duas datas ligadas à área: o Dia do Médico-Veterinário, celebrado em 9 de setembro no Brasil, e o Dia do Cavalo, lembrado em 14 de setembro no Rio Grande do Sul e por entidades de outras regiões.

Da clínica de equinos em Minas aos estudos sobre EPM no Kentucky e à pesquisa aplicada no Tennessee, os cenários mudaram. Os cavalos, porém, permaneceram no centro de cada escolha e transformaram duas paixões de faculdade nos rumos de sua própria carreira.