Como cidades do mundo estão transformando ruas para ampliar ciclovias e reduzir o espaço dos carros

Paris, Copenhague, Amsterdam e Dubai adotam diferentes estratégias para ampliar o uso da bicicleta e reorganizar o espaço das ruas

Fotografia em perspectiva frontal e iluminação diurna mostrando a ciclovia de canteiro central pintada em tom vermelho ao longo da Avenida Paulista. Em primeiro plano, a pista exibe pictogramas brancos de bicicleta e setas indicativas de sentido duplo. Ao fundo, dois ciclistas pedalam no trecho central. À esquerda, veículos de passeio e utilitários aguardam em fila no tráfego; à direita, a via rápida aparece desimpedida ao lado de um totem digital marcando a temperatura de 29°C, árvores e edifícios comerciais

Ciclovias ocupam espaço antes destinado aos carros em diferentes cidades que buscam ampliar o uso da bicicleta - Yuri Villaça/Gazeta de S. Paulo

Em diferentes cidades do mundo, a bicicleta deixou de ser tratada apenas como opção de lazer e passou a ocupar espaço nas políticas de mobilidade. Para ampliar o uso das duas rodas, governos têm criado ciclovias protegidas, retirado vagas de estacionamento, reduzido áreas destinadas aos carros e conectado diferentes regiões por meio de redes cicloviárias.

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As estratégias variam de acordo com o tamanho, o clima e a estrutura de cada cidade. Em Paris, por exemplo, a expansão da rede cicloviária faz parte de um plano de mobilidade que prevê mais de € 250 milhões (cerca de R$ 1,5 bilhão) em investimentos entre 2021 e 2026.

Já em Dubai, um projeto prevê uma estrutura de 93 quilômetros totalmente coberta e climatizada. Entenda como diferentes cidades estão reorganizando as ruas para ampliar o espaço destinado às bicicletas.

Paris transforma espaço dos carros em ciclovias

Paris é um dos exemplos de cidade que passou por uma mudança na distribuição do espaço viário. A capital francesa ampliou a rede de ciclovias e passou a retirar áreas antes destinadas aos carros para criar estruturas voltadas a bicicletas e pedestres.

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O plano cicloviário de 2021 a 2026 prevê mais de 250 milhões de euros em investimentos e a criação de 180 quilômetros de novas rotas seguras.

A cidade também trabalha na conexão da rede municipal com estruturas cicloviárias da região metropolitana.

A estratégia inclui diferentes tipos de infraestrutura, como ciclovias protegidas, rotas de ligação entre bairros e estacionamentos para bicicletas.

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Em um ranking de infraestrutura cicloviária protegida publicado em 2025, Paris aparecia na primeira posição entre as cidades analisadas, com 822 quilômetros de estruturas protegidas, equivalentes a 48% da extensão de sua rede viária considerada no levantamento.

A transformação também envolveu a retirada de espaço dos automóveis. Vias e áreas de estacionamento passaram a receber ciclovias, áreas verdes e espaços destinados aos pedestres.

Copenhague aposta em ciclovias protegidas e conectadas

Copenhague, na Dinamarca, adotou uma estratégia baseada na criação de uma rede cicloviária contínua.

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A cidade utiliza diferentes modelos de infraestrutura, desde ruas com trânsito acalmado até ciclovias separadas fisicamente dos carros.

Nas vias mais movimentadas, as estruturas podem ser separadas por meio-fio ou por uma faixa de proteção entre bicicletas e veículos.

Em ruas residenciais, medidas como redução da velocidade e estreitamento das pistas também são utilizadas para diminuir o espaço e a velocidade dos carros.

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A conexão entre os trechos também é uma das características do modelo. A ideia é evitar que a ciclovia desapareça em determinados pontos e obrigue o ciclista a dividir novamente o espaço com os veículos.

Um exemplo é a Bryggebroen, ponte construída sobre o porto de Copenhague. Segundo a administração de turismo da cidade, a estimativa inicial era de 3.300 travessias diárias de bicicleta.

Pouco depois da inauguração, o número passou de 9 mil, sendo cerca de um terço dos usuários antigos motoristas que passaram a utilizar a bicicleta.

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Amsterdam reduz a velocidade dos carros e amplia a rede

Amsterdam, nos Países Baixos, também utiliza a bicicleta como parte da organização do trânsito.

A cidade possui uma rede de quase 560 quilômetros de ciclovias protegidas e passou a adotar medidas para reduzir a velocidade dos veículos em grande parte das ruas.

Desde 2023, o limite de 30 km/h passou a valer em 82% das ruas da cidade, segundo o Copenhagenize Index 2025. A mudança busca reduzir a velocidade dos veículos e tornar a circulação de bicicletas mais segura.

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A cidade também vem retirando espaço dos carros em determinadas áreas e transformando trechos em ruas prioritárias para bicicletas.

Outra preocupação é a infraestrutura para deixar as bicicletas estacionadas. Em 2023, Amsterdam inaugurou um estacionamento subterrâneo para bicicletas na região da Estação Central, com 11 mil vagas.

Dubai quer levar a bicicleta para dentro de uma estrutura climatizada

Nem todas as cidades enfrentam o mesmo problema. Em Dubai, nos Emirados Árabes Unidos, as altas temperaturas dificultam o uso da bicicleta durante parte do ano.

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A solução proposta pela cidade é diferente. O projeto The Loop prevê uma estrutura de 93 quilômetros contínuos, coberta e climatizada, destinada a pedestres e ciclistas.

A proposta prevê a conexão de diferentes regiões de Dubai e inclui espaços de convivência, comércio, lazer, academias e outras atividades ao longo do percurso.

A estrutura também foi pensada para funcionar como alternativa aos deslocamentos de carro e segue o conceito de “cidade de 20 minutos”, no qual moradores conseguem acessar serviços, trabalho e lazer em trajetos mais curtos.

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O projeto ainda está em desenvolvimento e não representa uma ciclovia já entregue à população. A proposta prevê ainda o uso de energia limpa e sistemas para reaproveitamento de energia produzida pelo movimento de pessoas e bicicletas.

São Paulo também amplia espaço para bicicletas

São Paulo também trabalha na expansão da infraestrutura cicloviária. Atualmente, a capital possui 779,4 quilômetros de vias com tratamento cicloviário permanente, segundo dados da Prefeitura.

Desse total, 744,7 quilômetros são de ciclovias e ciclofaixas e outros 34,7 quilômetros correspondem a ciclorrotas.

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A Prefeitura prevê chegar a 1.000 quilômetros de estruturas cicloviárias até 2028. O plano inclui a implantação de 233 quilômetros de novas estruturas.

Desde 2025, 25,6 quilômetros de novas ciclovias já foram entregues, enquanto a administração municipal prepara uma licitação para a implantação de outros 158 quilômetros.

A cidade também possui corredores cicloviários distribuídos por diferentes regiões. Entre eles estão as estruturas da avenida Faria Lima, da avenida Paulista, da Marginal Pinheiros e da Radial Leste.

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Além da expansão, a Prefeitura também informou que recuperou 186,3 quilômetros de estruturas cicloviárias desde 2024. Mais de 120 quilômetros desse total foram recuperados durante a atual gestão.