Em diferentes cidades do mundo, a bicicleta deixou de ser tratada apenas como opção de lazer e passou a ocupar espaço nas políticas de mobilidade. Para ampliar o uso das duas rodas, governos têm criado ciclovias protegidas, retirado vagas de estacionamento, reduzido áreas destinadas aos carros e conectado diferentes regiões por meio de redes cicloviárias.
As estratégias variam de acordo com o tamanho, o clima e a estrutura de cada cidade. Em Paris, por exemplo, a expansão da rede cicloviária faz parte de um plano de mobilidade que prevê mais de € 250 milhões (cerca de R$ 1,5 bilhão) em investimentos entre 2021 e 2026.
Já em Dubai, um projeto prevê uma estrutura de 93 quilômetros totalmente coberta e climatizada. Entenda como diferentes cidades estão reorganizando as ruas para ampliar o espaço destinado às bicicletas.
Paris transforma espaço dos carros em ciclovias
Paris é um dos exemplos de cidade que passou por uma mudança na distribuição do espaço viário. A capital francesa ampliou a rede de ciclovias e passou a retirar áreas antes destinadas aos carros para criar estruturas voltadas a bicicletas e pedestres.
O plano cicloviário de 2021 a 2026 prevê mais de 250 milhões de euros em investimentos e a criação de 180 quilômetros de novas rotas seguras.
A cidade também trabalha na conexão da rede municipal com estruturas cicloviárias da região metropolitana.
A estratégia inclui diferentes tipos de infraestrutura, como ciclovias protegidas, rotas de ligação entre bairros e estacionamentos para bicicletas.
Em um ranking de infraestrutura cicloviária protegida publicado em 2025, Paris aparecia na primeira posição entre as cidades analisadas, com 822 quilômetros de estruturas protegidas, equivalentes a 48% da extensão de sua rede viária considerada no levantamento.
A transformação também envolveu a retirada de espaço dos automóveis. Vias e áreas de estacionamento passaram a receber ciclovias, áreas verdes e espaços destinados aos pedestres.
Copenhague aposta em ciclovias protegidas e conectadas
Copenhague, na Dinamarca, adotou uma estratégia baseada na criação de uma rede cicloviária contínua.
A cidade utiliza diferentes modelos de infraestrutura, desde ruas com trânsito acalmado até ciclovias separadas fisicamente dos carros.
Nas vias mais movimentadas, as estruturas podem ser separadas por meio-fio ou por uma faixa de proteção entre bicicletas e veículos.
Em ruas residenciais, medidas como redução da velocidade e estreitamento das pistas também são utilizadas para diminuir o espaço e a velocidade dos carros.
A conexão entre os trechos também é uma das características do modelo. A ideia é evitar que a ciclovia desapareça em determinados pontos e obrigue o ciclista a dividir novamente o espaço com os veículos.
Um exemplo é a Bryggebroen, ponte construída sobre o porto de Copenhague. Segundo a administração de turismo da cidade, a estimativa inicial era de 3.300 travessias diárias de bicicleta.
Pouco depois da inauguração, o número passou de 9 mil, sendo cerca de um terço dos usuários antigos motoristas que passaram a utilizar a bicicleta.
Amsterdam reduz a velocidade dos carros e amplia a rede
Amsterdam, nos Países Baixos, também utiliza a bicicleta como parte da organização do trânsito.
A cidade possui uma rede de quase 560 quilômetros de ciclovias protegidas e passou a adotar medidas para reduzir a velocidade dos veículos em grande parte das ruas.
Desde 2023, o limite de 30 km/h passou a valer em 82% das ruas da cidade, segundo o Copenhagenize Index 2025. A mudança busca reduzir a velocidade dos veículos e tornar a circulação de bicicletas mais segura.
A cidade também vem retirando espaço dos carros em determinadas áreas e transformando trechos em ruas prioritárias para bicicletas.
Outra preocupação é a infraestrutura para deixar as bicicletas estacionadas. Em 2023, Amsterdam inaugurou um estacionamento subterrâneo para bicicletas na região da Estação Central, com 11 mil vagas.
Dubai quer levar a bicicleta para dentro de uma estrutura climatizada
Nem todas as cidades enfrentam o mesmo problema. Em Dubai, nos Emirados Árabes Unidos, as altas temperaturas dificultam o uso da bicicleta durante parte do ano.
A solução proposta pela cidade é diferente. O projeto The Loop prevê uma estrutura de 93 quilômetros contínuos, coberta e climatizada, destinada a pedestres e ciclistas.
A proposta prevê a conexão de diferentes regiões de Dubai e inclui espaços de convivência, comércio, lazer, academias e outras atividades ao longo do percurso.
A estrutura também foi pensada para funcionar como alternativa aos deslocamentos de carro e segue o conceito de “cidade de 20 minutos”, no qual moradores conseguem acessar serviços, trabalho e lazer em trajetos mais curtos.
O projeto ainda está em desenvolvimento e não representa uma ciclovia já entregue à população. A proposta prevê ainda o uso de energia limpa e sistemas para reaproveitamento de energia produzida pelo movimento de pessoas e bicicletas.
São Paulo também amplia espaço para bicicletas
São Paulo também trabalha na expansão da infraestrutura cicloviária. Atualmente, a capital possui 779,4 quilômetros de vias com tratamento cicloviário permanente, segundo dados da Prefeitura.
Desse total, 744,7 quilômetros são de ciclovias e ciclofaixas e outros 34,7 quilômetros correspondem a ciclorrotas.
A Prefeitura prevê chegar a 1.000 quilômetros de estruturas cicloviárias até 2028. O plano inclui a implantação de 233 quilômetros de novas estruturas.
Desde 2025, 25,6 quilômetros de novas ciclovias já foram entregues, enquanto a administração municipal prepara uma licitação para a implantação de outros 158 quilômetros.
A cidade também possui corredores cicloviários distribuídos por diferentes regiões. Entre eles estão as estruturas da avenida Faria Lima, da avenida Paulista, da Marginal Pinheiros e da Radial Leste.
Além da expansão, a Prefeitura também informou que recuperou 186,3 quilômetros de estruturas cicloviárias desde 2024. Mais de 120 quilômetros desse total foram recuperados durante a atual gestão.





