Um cientista japonês desenvolveu um tratamento experimental contra a doença renal crônica em gatos, considerada uma das principais causas de morte entre os felinos. A pesquisa é baseada na proteína AIM (Apoptosis Inhibitor of Macrophage), descoberta pelo próprio Miyazaki em 1999. Em gatos, essa proteína permanece presa a anticorpos e não consegue atuar na limpeza de células mortas que se acumulam nos rins.
O pedido de aprovação foi protocolado em abril de 2026 no Ministério da Agricultura do Japão pelo pesquisador Toru Miyazaki, ex-professor da Universidade de Tóquio e hoje à frente do Institute for AIM Medicine, em Tóquio.
Por que a proteína AIM não funciona direito nos gatos?
A proteína AIM existe naturalmente no sangue da maioria dos mamíferos e tem uma função simples: sinalizar a remoção de células mortas e resíduos que se acumulam no organismo, inclusive nos rins. Normalmente, ela circula “desligada”, presa a um grande complexo de anticorpos chamado IgM, e só se solta quando é necessária.
Nos gatos, porém, esse mecanismo trava. Pesquisas indicam que a ligação entre a AIM felina e o IgM é cerca de mil vezes mais forte do que a observada em outras espécies, devido a uma estrutura específica de aminoácidos presente apenas na proteína dos felinos.
Na prática, isso significa que a AIM do gato praticamente nunca se solta do IgM. Sem conseguir se desprender, a proteína não chega a atuar nos rins, e os resíduos celulares vão se acumulando dentro dos túbulos renais, um entupimento progressivo que compromete a filtragem e leva à doença renal crônica.
Como funciona o novo medicamento?
O tratamento desenvolvido por Toru Miyazaki contorna esse bloqueio ao introduzir diretamente no organismo do animal uma versão da proteína AIM já ativa e livre da ligação excessiva com o IgM. Aplicada por injeção, essa AIM “funcional” circula sem ficar presa e consegue chegar até os rins.
Uma vez nos túbulos renais, a proteína se acumula ao redor das células mortas que estão obstruindo a passagem, funcionando como uma espécie de sinalizador biológico. Esse sinal indica ao sistema imunológico do próprio gato que aqueles resíduos precisam ser identificados e eliminados.
Com os túbulos desobstruídos, os rins recuperam parte de sua capacidade de filtragem, o que explica a melhora observada nos testes clínicos, inclusive em gatos que já estavam em estágio avançado da doença. É esse desbloqueio mecânico, mais do que uma “cura” no sentido tradicional, que sustenta as expectativas de aumento na sobrevida dos animais tratados.
Gatos poderão mesmo viver até 30 anos?
Essa é a principal dúvida entre tutores que acompanham a pesquisa. Segundo projeções do próprio Miyazaki, o tratamento poderia, no melhor cenário, elevar a expectativa de vida dos gatos dos atuais 12 a 16 anos em média para até 30 anos.
Porém, essa projeção ainda depende de mais estudos de longo prazo para ser confirmada. O que já está comprovado, por ora, é o aumento da sobrevida em testes controlados, o salto para os 30 anos segue sendo uma expectativa, não uma garantia científica.






