Próstata passou a ter uma nova opção de investigação em um hospital público de São Paulo neste mês. O Hospital Municipal Vila Santa Catarina adotou a biópsia transperineal como principal método para coletar tecidos quando existe suspeita de câncer. A mudança busca reduzir complicações infecciosas.
Nova técnica de biópsia da próstata reduz contato com bactérias
A biópsia transperineal usa uma entrada diferente para retirar pequenos fragmentos da próstata. A agulha passa pelo períneo, região situada entre o escroto e o ânus.
O método evita a passagem pelo reto, usada na técnica transretal. Essa diferença reduz o contato do material usado no exame com bactérias presentes naturalmente no intestino.
A técnica também pode facilitar o acesso a determinadas regiões da próstata. Isso permite retirar amostras de áreas que podem ser mais difíceis de alcançar pelo método tradicional.
“A biópsia de próstata por via transperineal é comprovadamente mais segura, justamente por não haver contato com as fezes, o que reduz o risco de infecções em comparação com a técnica tradicional. A oferta desse procedimento pela rede pública reforça o compromisso da Secretaria Municipal de Saúde em ampliar e qualificar a assistência, promovendo a melhoria contínua do atendimento aos usuários da cidade de São Paulo”, afirma José Carlos Ingrund, secretário executivo adjunto da Secretaria Executiva de Atenção Hospitalar.
Como funciona a biópsia de próstata no hospital público
O Hospital Municipal Gilson de Cássia Marques de Carvalho, conhecido como Vila Santa Catarina, realiza entre 100 e 120 biópsias por mês. Cerca de 80% dos exames já utilizam a abordagem transperineal.
O procedimento dura aproximadamente 30 minutos. O paciente recebe sedação e anestesia local durante a coleta.
Uma equipe formada por radiologistas intervencionistas, anestesiologista e profissionais de enfermagem acompanha o exame. Depois, o paciente permanece em observação por cerca de uma ou duas horas.
Na maioria dos casos, a pessoa pode voltar às atividades habituais no dia seguinte. A indicação do procedimento, porém, depende da avaliação médica de cada paciente.
“O impacto não é apenas clínico. Ao evitar complicações infecciosas que exigem internação e tratamentos mais complexos, o exame aumenta a segurança do paciente e contribui para uma utilização mais eficiente dos recursos hospitalares”, afirma André Dubinco, coordenador médico da Radiologia Intervencionista do hospital.
Hospital prepara mudança completa do método
A unidade ainda mantém parte das biópsias pelo método transretal. Esses exames correspondem a cerca de 20% do total e fazem parte da formação de residentes.
A substituição ocorre de forma gradual, com capacitação das equipes e suporte do Einstein Hospital Israelita. A previsão é concluir a mudança para a técnica transperineal no início de 2027.
Menor risco de infecção após a coleta
O principal ganho da abordagem está relacionado às complicações infecciosas. A adoção do método no serviço público amplia o acesso a uma técnica já recomendada por diretrizes urológicas. Para o paciente, a escolha do procedimento continua dependendo da avaliação da equipe responsável.
A mudança no Vila Santa Catarina ocorre enquanto a unidade amplia gradualmente o uso da abordagem transperineal. O objetivo é concluir a transição e manter o método como principal via para a biópsia da próstata.
