Imagine viver em uma ilha em que o mar está a poucos passos da porta da sua casa, um sonho? Pode até parecer que sim, mas para os habitantes das Ilhas Marshall isso é um pesadelo. Todos os anos o mar avança sobre elas, causando prejuízos.
Para impedir inundações, uma equipe de engenheiros e trabalhadores construiu uma muralha oceânica de 1,81 quilômetros. Inaugurada em setembro de 2026, a muralha serve como uma proteção contra tempestades, mas também contra a elevação do nível do mar.
Ilha quase arrasada
As Ilhas Marshall são formadas por 29 atóis de coral e cinco ilhas principais. Grande parte do território está a aproximadamente dois metros acima do nível do mar, o que torna o território muito vulnerável às mudanças no nível do mar.
Em Ebeye, onde vivem cerca de 10 mil pessoas, a situação já provocou tragédias. Em 1991, após o tufão Zelda atingir o atol de Kwajalein, 60% de todos os edifícios foram danificados e mais de cinco mil pessoas ficaram desabrigadas.

Rochas cruzaram oceanos
A construção da barreira exigiu uma operação logística internacional. A empresa australiana Hall Contracting, sediada na região de Sunshine Coast, precisou transportar equipamentos pesados até a ilha, localizada a milhares de quilômetros da Austrália.
As rochas utilizadas vieram dos Emirados Árabes Unidos. Extraídas de uma pedreira em Ras al-Khaimah, elas foram transportadas por navio até as Ilhas Marshall, onde passaram para barcaças responsáveis por levá-las até a área de construção.
Segundo as empresas responsáveis, aproximadamente 84 mil toneladas de rochas e materiais de aterro foram mobilizadas. As pedras formam uma estrutura inclinada, projetada para dissipar a energia das ondas antes que elas atinjam as construções.

Mais que uma muralha
A obra não foi executada apenas por estrangeiros. No período de maior atividade, aproximadamente 35 trabalhadores das Ilhas Marshall participaram da construção ao lado da equipe australiana, recebendo treinamento com máquinas e equipamentos topográficos.
O trabalho permitiu que moradores adquirissem experiência técnica durante a implantação da infraestrutura.
Além da proteção marítima, a estrutura incorporou uma passarela iluminada que conecta diferentes pontos da ilha. O caminho permite que moradores circulem pela orla durante o dia e à noite, desde que as condições do mar sejam seguras.

Foram instaladas ainda sete saídas de drenagem integradas à nova infraestrutura viária. Elas ajudam a escoar a água da chuva, reduzindo o risco de acúmulo nas ruas durante períodos de precipitação intensa.
Proteção tem limites
A barreira foi projetada para oferecer proteção de longo prazo diante de uma elevação do nível do mar de até 50 centímetros. Isso não significa, entretanto, que a ilha esteja completamente protegida contra qualquer inundação.
A Haskoning, empresa responsável, reconhece que a baixa altitude e as limitações do sistema de drenagem ainda podem provocar alagamentos durante eventos extremos. O principal objetivo é reduzir a entrada de água provocada pela ação das ondas convencionais.
O desafio também aumenta com o aquecimento global. Segundo projeções da NASA para as Ilhas Marshall, o nível do mar na região de Majuro pode subir aproximadamente 19 centímetros nas próximas três décadas.








