Gypsy-Rose Blanchard tinha 23 anos quando participou do assassinato da própria mãe, Clauddine “Dee Dee” Blanchard, em 2015. Anos depois, o caso que chocou os Estados Unidos ganhou novos capítulos e transformou Gypsy em uma personalidade das redes sociais, com milhões de seguidores após sua saída da prisão.
A história chamou atenção porque o crime aconteceu depois de anos de abusos cometidos, segundo relatos de Gypsy, pela própria mãe. Dee Dee dizia que a filha sofria de diversas doenças, incluindo leucemia e distrofia muscular, e a submeteu a tratamentos e procedimentos médicos desnecessários. Também fazia Gypsy usar cadeira de rodas e sonda de alimentação, apesar de ela não apresentar as doenças alegadas.
Em junho de 2015, Gypsy convenceu o então namorado, Nicholas Godejohn, que conheceu pela internet, a matar Dee Dee. O homem foi até a residência da família, no Missouri, e esfaqueou a mãe de Gypsy enquanto ela estava em outro cômodo. Os dois fugiram para Wisconsin, onde foram posteriormente encontrados e presos.
Gypsy-Rose foi condenada pelo assassinato da mãe
Gypsy-Rose se declarou culpada por assassinato em segundo grau em 2016 e recebeu uma pena de dez anos de prisão. Já Godejohn, que efetivamente matou Dee Dee, foi condenado à prisão perpétua.
O caso ganhou ainda mais repercussão com documentários, livros e a série “The Act”, produção do Hulu estrelada por Joey King e Patricia Arquette. A história de Gypsy passou a ser acompanhada por milhões de pessoas, que discutiam principalmente os abusos sofridos por ela durante a infância e a decisão de participar da morte da mãe.
Depois de cumprir cerca de 85% da pena, Gypsy foi libertada em 28 de dezembro de 2023, em liberdade condicional. A saída da prisão marcou o início de uma nova fase de exposição pública.
De condenada por assassinato a fenômeno nas redes
Logo após deixar a prisão, Gypsy-Rose passou a publicar fotos e vídeos sobre a nova vida. Uma das primeiras publicações no Instagram foi uma selfie acompanhada da frase “First selfie of freedom” (“Primeira selfie da liberdade”, em tradução livre). A imagem rapidamente alcançou milhões de curtidas.
A popularidade cresceu em poucos dias. Em janeiro de 2024, reportagens registravam milhões de seguidores no Instagram e no TikTok. O Washington Post apontou que ela havia alcançado cerca de 8,1 milhões de seguidores no Instagram e 9,5 milhões no TikTok naquele período.
A exposição também levou Gypsy a participar de entrevistas e produções de televisão. Em 2024, ela apareceu em programas e protagonizou projetos relacionados à própria história, incluindo a série documental “The Prison Confessions of Gypsy Rose Blanchard” e o reality “Gypsy Rose: Life After Lock Up”.
A transformação de uma mulher condenada por assassinato em uma celebridade digital também provocou debates nos Estados Unidos. Especialistas chamaram atenção para os riscos da exposição repentina, especialmente porque a história envolve abuso infantil, trauma e um crime que continua despertando grande interesse público.
Gypsy, por sua vez, afirmou que não buscava a fama. Em entrevista à ABC News, disse que a atenção recebida depois da prisão foi maior do que esperava e que, naquele momento, estava tentando viver uma vida normal após anos sob controle da mãe e depois atrás das grades.
