Turista pagou R$ 1 milhão para viajar em cruzeiro que abandonou moradores no Camboja

Casal “morava” no navio e esperava que a viagem durasse, pelo menos, 15 anos

Turista pagou R$ 1 milhão para viajar em cruzeiro que abandonou moradores no Camboja

Viagem foi interrompida no fim de outubro | Foto: Villa Vie Residences/Divulgação

O sonho de morar em um cruzeiro de luxo e conhecer o mundo terminou de forma inesperada para um dos 203 passageiros do Villa Vie Odyssey, que desembolsou R$ 1 milhão para navegar com a esposa. Após mais de dois anos no mar, eles precisaram abandonar a embarcação durante uma parada no Camboja, no Sudeste Asiático, depois que a operadora anunciou a suspensão das atividades por falta de dinheiro.

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A decisão ocorreu na terça-feira da semana passada (27/10), quando a norte-americana Villa Vie Residences reconheceu que não conseguia mais sustentar os custos da viagem. Os passageiros receberam poucas horas para reunir seus pertences e desembarcar, sem saber quando poderiam retornar ao navio. Segundo a empresa, a “crise” foi motivada por “aumentos extraordinários nos custos de combustível”.

Veja fotos do cruzeiro Villa Vie Odyssey, que abandonou moradores no Camboja

Turista pagou 1 milhão de dólares e deixou tudo para trás para se aventurar no cruzeiro

Em uma ligação diretamente do hotel onde precisou se hospedar às pressas, um dos moradores do navio contou detalhes da experiência residencial em alto mar à agência de notícias AFP.

O americano Randy Cassingham e a esposa, Kit, embarcaram no navio em Belfast, em outubro de 2024, e investiram cerca de US$ 1 milhão na viagem, com tudo incluído. O casal esperava passar ao menos 15 anos a bordo.

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Segundo o turista, a experiência foi positiva, apesar do desfecho. Ele disse que os dois adoram viajar, mas não gostam de aeroportos e companhias aéreas. O cruzeiro permitia desfazer as malas uma única vez, dormir na própria cama e conhecer um novo destino a cada poucos dias.

Mesmo após ficar em terra, Cassingham afirmou não se arrepender da decisão e disse que voltaria ao navio se a viagem fosse retomada. “Dinheiro à parte, foi uma aventura fantástica”, declarou.

Aumento no preço do combustível impossibilitou viagem

Por trás da interrupção está o aumento dos preços internacionais dos combustíveis, pressionados pela guerra envolvendo os Estados Unidos e o Irã. Segundo a operadora, o gasto mensal com combustível por cabine saltou de US$ 1.800 para até US$ 8 mil em determinadas regiões da Ásia.

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Na tentativa de reduzir as despesas, a companhia diminuiu a velocidade da embarcação e prolongou as paradas nos portos. As medidas, entretanto, não foram suficientes para compensar os custos adicionais.

Diferentemente dos cruzeiros tradicionais, o Villa Vie Odyssey funcionava como uma comunidade flutuante. Os passageiros podiam comprar cabines por valores entre US$ 120 mil e US$ 440 mil, transformando o navio em residência permanente.

A estrutura incluía restaurantes, bares, piscina e espaços de convivência. A proposta atraía principalmente aposentados interessados em passar os próximos anos viajando sem abrir mão do conforto de uma casa.

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Futuro permanece incerto

Diante da crise financeira, a Villa Vie Residences anunciou um período de 60 dias para tentar reorganizar as finanças e atrair novos investidores, mas reconheceu que não existe garantia de recuperação.

Enquanto alguns passageiros deixaram o Camboja de avião, outros permanecem em hotéis na cidade portuária de Sihanoukville. A embarcação deve ser reabastecida antes de deixar o país, embora a saída não represente necessariamente a retomada do cruzeiro.

O que diz a operadora do cruzeiro

Em uma nota divulgada no próprio site, a Villa Vie Residences alegou que precisou suspender suas operações no Camboja decido aos “aumentos extraordinários nos custos de combustível” e que avalia alternativas de reestruturação e recapitalização.

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“A empresa está trabalhando com os moradores para coordenar o desembarque e identificar acomodações temporárias. A Villa Vie Residences reconhece que este é um período difícil e perturbador para moradores, tripulantes e funcionários, e está trabalhando para apoiar os afetados à medida que os planos são desenvolvidos”, afirma.

“Medidas não foram suficientes para compensar o aumento extraordinário dos custos de combustível, e não conseguimos continuar arcando com os prejuízos operacionais resultantes. Repassar o aumento integral aos residentes não é uma solução viável”’, finaliza.

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