O Brooklin é hoje associado aos edifícios corporativos da Avenida Engenheiro Luís Carlos Berrini e à Ponte Estaiada. Mas a paisagem era muito diferente há pouco mais de um século.
Antes da urbanização, a região tinha características rurais, com fazendas, chácaras e poucas construções. Os bondes que ligavam o centro ao antigo município de Santo Amaro cruzavam a região.
De Cordeiro e Quinto Desvio a Brooklin Paulista
A área que formaria o bairro aparece em registros antigos associada a denominações como Cordeiro, referência ligada a um córrego local, e Quinto Desvio, nome de uma parada da linha de bondes. Também há relatos do uso de Volta Redonda, relacionado às curvas do trajeto.
A eletrificação dos bondes, em 1913, facilitou os deslocamentos e estimulou o interesse de investidores e loteadores.
No início da década de 1920, diferentes loteamentos começaram a consolidar a ocupação. Um deles recebeu o nome de Brooklyn Paulista, em referência ao distrito nova-iorquino. A grafia acabou adaptada para Brooklin, forma que se popularizou.
A influência norte-americana também apareceu nos nomes das ruas. Texas, Flórida, Califórnia, Indiana e Michigan estão entre os exemplos que ajudam a explicar a curiosa identidade viária do bairro. Portanto, Texas era o nome de uma rua, não uma antiga denominação do Brooklin.
A enchente e a transformação da paisagem
A urbanização não aconteceu sem obstáculos. Em 1929, uma grande enchente atingiu a região e expôs a vulnerabilidade das áreas próximas ao Rio Pinheiros. Depois, intervenções no rio, drenagem de várzeas e abertura de avenidas mudaram a paisagem.
Até 1935, a região de Santo Amaro, da qual o Brooklin fazia parte, integrava um município independente. Naquele ano, Santo Amaro foi incorporado à cidade de São Paulo, acelerando a integração da zona sul à Capital.
A partir da segunda metade do século 20, o bairro passou por novas mudanças. Áreas residenciais e industriais deram espaço a edifícios comerciais, sedes empresariais e empreendimentos imobiliários, sobretudo no entorno da Berrini.
O que fazer no Brooklin?
Um dos cartões-postais mais conhecidos é a Ponte Estaiada Octavio Frias de Oliveira, inaugurada em 2008 sobre o Rio Pinheiros. Com sua estrutura em formato de X e duas pistas curvas, tornou-se um dos símbolos da paisagem paulistana.
Para quem prefere áreas verdes, o Parque do Cordeiro Martin Luther King oferece espaço para caminhadas, atividades ao ar livre e contato com a natureza. O nome recupera uma referência histórica da região e homenageia o ativista norte-americano dos direitos civis.
As ruas com nomes de estados dos Estados Unidos também merecem um passeio. A Rua Texas, por exemplo, ajuda a perceber como a inspiração estrangeira permaneceu na identidade local.
O bairro ainda reúne restaurantes, cafés e espaços culturais, além de centros comerciais e empresariais, sendo um dos mais caros quando o assunto é aluguel.
O bairro também tem ligação com a história do rap nacional. O rapper Sabotage, nome artístico de Mauro Mateus dos Santos, que tem forte ligação com o bairro, se tornou um dos nomes mais importantes do hip-hop brasileiro.
Sua trajetória ficou associada à realidade das periferias da cidade, e sua obra segue como referência para novas gerações.
A menção ajuda a ampliar o retrato cultural da região para além dos prédios corporativos e das ruas inspiradas nos Estados Unidos.
Como chegar de metrô ao Brooklin?
A região é atendida pela Linha 5-Lilás, com a Estação Brooklin, e pela Linha 17-Ouro, que conta com a Estação Brooklin Paulista, na Avenida Jornalista Roberto Marinho. A estação Berrini, da Linha 9-Esmeralda da CPTM, também atende o entorno corporativo.
Assim, o Brooklin reúne diferentes momentos da história paulistana: de uma antiga paisagem rural e dos trilhos de bonde a um dos principais centros empresariais da cidade.








