A atualização de outubro da chamada “lista suja” do trabalho análogo à escravidão incluiu 82 novos empregadores, responsáveis por situações que levaram ao resgate de 553 trabalhadores. Divulgado pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) em 6 de outubro, o cadastro reúne casos identificados pela fiscalização entre 2024 e 2026.
Do total de novos registros, 54 são de pessoas físicas e 28, de empresas. Os empregadores estão distribuídos por 21 unidades da Federação.
O estado de Minas Gerais concentra o maior número de inclusões, com 19 casos, seguido pela Bahia, com oito. Amazonas e Maranhão aparecem na sequência, com seis registros cada. São Paulo tem quatro empregadores incluídos.
Entre as atividades econômicas com mais registros estão a criação de bovinos para corte, com oito casos; os serviços domésticos, com sete; a produção de carvão vegetal e a produção de café, com seis cada; e a construção de edifícios, com cinco. O número de novas inclusões caiu cerca de 51,48% em relação à atualização anterior, publicada em abril.
A revisão também retirou 151 nomes do cadastro, que prevê a permanência dos empregadores por dois anos. A lista é divulgada semestralmente, em abril e outubro, e inclui pessoas físicas e jurídicas responsabilizadas por submeter trabalhadores a condições análogas à escravidão após a conclusão dos processos administrativos, sem possibilidade de recurso.
Em 2025, o Brasil registrou o maior número de denúncias de trabalho escravo e de condições análogas à escravidão desde o início da série histórica, em 2011.
Quem entrou na lista
Entre os novos nomes está o governo de Rondônia, após o resgate de dois trabalhadores em condições análogas à escravidão, em junho de 2026.
Também foi incluída a empresa T. F. Zimpel Ltda., de propriedade de Taiany França Zimpel, eleita Miss Mato Grosso em 2024. A companhia foi relacionada ao resgate de 20 trabalhadores durante uma operação realizada em setembro de 2025 na Fazenda Eliane Raquel e Quinhão, em Nova Maringá (MT).
Em São Paulo, duas churrascarias aparecem no cadastro: a Boizao Eventos, após o resgate de 15 trabalhadores em duas ações realizadas em julho de 2026, e a Churrascaria Marginal do Tietê, relacionada ao resgate de dois trabalhadores em maio do mesmo ano.
No Rio Grande do Sul, Fabiano Stuani foi incluído após uma fiscalização realizada em 2025 resgatar nove pessoas de uma propriedade rural em Flores da Cunha. Os trabalhadores atuavam na colheita de uvas.
Como funciona a ‘lista suja’
A inclusão ocorre após a conclusão do processo administrativo que apura a submissão de trabalhadores a condições análogas à escravidão, com decisão definitiva. Durante a tramitação, os empregadores têm direito à defesa e ao contraditório.
Em regra, os nomes permanecem no cadastro por dois anos. No entanto, regras publicadas em julho de 2024 permitem que determinados empregadores firmem um termo de ajustamento de conduta para evitar a inclusão ou obter a retirada antecipada. Para isso, devem cumprir compromissos como indenizar as vítimas em pelo menos 20 salários mínimos e investir em programas de apoio aos trabalhadores resgatados.
Esses empregadores passam a integrar o Cadastro de Empregadores em Ajustamento de Conduta. O nome pode voltar à “lista suja” caso os compromissos sejam descumpridos ou haja reincidência.
Criado em 2003, o cadastro tem como objetivo dar transparência às ações fiscais de combate ao trabalho análogo à escravidão. Em 2020, o Supremo Tribunal Federal (STF) confirmou a constitucionalidade da lista e entendeu que sua divulgação é um instrumento de transparência da administração pública.
Saiba como denunciar
Denúncias de trabalho análogo à escravidão podem ser feitas de forma remota e sigilosa pelo Sistema Ipê, canal criado pelo Ministério do Trabalho e Emprego em parceria com a Organização Internacional do Trabalho (OIT). Não é necessário se identificar, mas é importante fornecer o máximo possível de informações para ajudar a fiscalização a avaliar o caso.
Desde 1995, mais de 70 mil trabalhadores foram resgatados de condições análogas à escravidão no Brasil. Segundo o MTE, mais de R$ 171 milhões em verbas salariais e rescisórias foram assegurados aos trabalhadores durante as operações.
