Madame Satã: casa noturna que recebeu festa milionária de Vorcaro com 120 mulheres é ícone de SP e tem nome inspirado em famoso malandro da Lapa

Casa no Bixiga ficou famosa por receber artistas e públicos diversos desde os anos 1980 e tem ligação com uma das figuras mais conhecidas da boemia carioca

Madame e Vorcaro

Histórico Madame Satã voltou ao centro das atenções por um motivo inusitado: uma festa de Halloween promovida por Daniel Vorcaro/Divulgação e Reprodução

O histórico Madame Satã, uma das casas noturnas mais tradicionais de São Paulo, voltou ao centro das atenções por um motivo inusitado: uma festa de Halloween promovida por Daniel Vorcaro. O evento, realizado em 31 de outubro de 2023, reuniu 120 mulheres e apenas 20 homens.

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A proporção chamou a atenção até do próprio Vorcaro, que escreveu em uma conversa com o ex-ministro Fábio Faria: “Cara, tem 120 mulheres e 20 homens. Tô tendo que tirar mulher porque não tá cabendo”.

Faria ajudava a organizar a lista de convidados homens, enquanto o promoter Tiago Polo ficou responsável por atrair mulheres para a festa. As mensagens, incluídas em um relatório da Polícia Federal e divulgadas pela revista Piauí, também mostram que Vorcaro queria “só menina nova” no evento.

A festa aconteceu em uma casa noturna no Bixiga que, décadas antes, já havia conquistado seu espaço na história da noite paulistana.

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De Vorcaro à contracultura paulistana

Conhecido originalmente como Madame Satã, o espaço abriu as portas em 1983 e se transformou em um dos endereços mais emblemáticos da vida noturna de São Paulo.

Instalado em um casarão, o local reuniu, ao longo dos anos, punks, góticos, artistas, músicos, jornalistas, estudantes e frequentadores ligados à contracultura. A casa também recebeu nomes importantes da música brasileira em diferentes momentos de sua história.

Depois de fechar em 2009, o espaço reabriu em 2012 como Madame, mantendo o nome que o transformou em símbolo da noite paulistana.

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Quem foi Madame Satã?

O nome da casa faz referência a João Francisco dos Santos, o Madame Satã, figura emblemática da boemia da Lapa, no Rio de Janeiro.

Nascido em Pernambuco, ele construiu sua história na noite carioca e ficou conhecido pela atuação como malandro, capoeirista e artista. Também participou de apresentações como transformista e se tornou uma das personagens mais marcantes da Lapa no século 20.

Homossexual assumido, Madame Satã foi preso diversas vezes por causa de brigas nas ruas do Rio de Janeiro, inclusive com policiais. Em 1971, em uma histórica entrevista ao jornal Pasquim, o malandro contabilizou que havia passado 27 anos e oito meses atrás das grades, ao todo, após 71 anos de vida.

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Em 2002, a vida de João virou filme, estrelado pelo ator Lázaro Ramos, na pele do protagonista, e dirigido pelo brasileiro Karim Aïnouz.

A escolha do nome para a casa paulistana ajudou a criar uma identidade associada à boemia, à diversidade e à contracultura.

Por isso, décadas depois de sua abertura, o Madame continua carregando uma marca própria na noite de São Paulo.

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Agora, o endereço histórico voltou a ser assunto nacional por causa de uma festa que colocou o nome da tradicional casa novamente no centro das atenções.