Correios em greve nesta sexta afetam trabalhadores em todo o país e levantam dúvidas sobre entregas, encomendas e funcionamento dos serviços

Entenda os motivos da paralisação, o impasse nas negociações e as medidas adotadas pela estatal para manter as operações

Fim das encomendas aos EUA não está associado ao plano de reestruturação dos Correios

A empresa registrou prejuízo líquido de R$ 2,39 bilhões no segundo trimestre de 2026. Foto: Divulgação/Correios

Os Correios entram em uma nova paralisação nesta sexta-feira (11/9), após trabalhadores aprovarem o movimento por tempo indeterminado em assembleias realizadas na noite de quinta-feira (10/9). A decisão ocorre em meio à campanha salarial da categoria, após as negociações com a empresa terminarem sem acordo.

Continua após a publicidade

Greve dos Correios começa nesta sexta-feira

A paralisação foi aprovada por sindicatos ligados à categoria em diferentes estados e regiões. A Federação Interestadual dos Empregados da Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos (Findect) informou que o movimento terá duração indeterminada.

A decisão ocorreu após rodadas de negociação entre representantes dos empregados e da empresa. O processo também contou com tentativas de mediação no Tribunal Superior do Trabalho (TST).

Os Correios haviam pedido a mediação do TST em agosto. Segundo a empresa, a iniciativa buscava construir um acordo coletivo para o período de 2026/2027.

Continua após a publicidade

O que está em disputa na greve dos Correios

Um dos principais pontos de conflito envolve o plano de saúde dos empregados. A Findect afirma que a empresa pretende alterar regras relacionadas ao benefício.

O tema já aparece em decisões anteriores da Justiça do Trabalho. O TST possui entendimento sobre a cobrança de mensalidades e coparticipação no plano de saúde dos empregados dos Correios.

A empresa, por outro lado, afirma que apresentou uma proposta durante as negociações. Segundo os Correios, o texto contemplava 78 das 80 cláusulas discutidas no acordo coletivo.

Continua após a publicidade

Entre os pontos apresentados pela estatal estão reajustes vinculados ao INPC e a manutenção da assistência à saúde. A empresa também afirma que buscou preservar direitos dentro das condições financeiras atuais.

Como ficam as entregas durante a paralisação

Os Correios informaram que colocaram em prática um Plano de Continuidade de Negócios. A medida prevê remanejamento de equipes, reforço de atividades operacionais e ações específicas na área de logística.

O objetivo é manter os serviços e reduzir possíveis efeitos sobre os clientes durante a paralisação. A empresa não informou, porém, que todas as operações terão funcionamento normal.

Continua após a publicidade

A situação pode variar entre as unidades. Por isso, clientes com encomendas em andamento devem acompanhar as informações divulgadas pelos canais oficiais dos Correios.

Situação financeira dos Correios pesa nas negociações

A greve ocorre enquanto a estatal enfrenta um período de forte pressão financeira. Os dados oficiais mostram que a empresa registrou prejuízo líquido de R$ 2,39 bilhões no segundo trimestre de 2026.

O resultado foi 24,4% menor que o prejuízo de R$ 3,16 bilhões registrado nos primeiros três meses do ano. Mesmo assim, o resultado acumulado no semestre continua negativo.

Continua após a publicidade

Os Correios afirmam que estão executando um plano de reestruturação. A estratégia envolve redução de despesas, revisão de contratos, reorganização interna e medidas para aumentar as receitas.

As demonstrações financeiras do primeiro e do segundo trimestre de 2026 estão disponíveis no portal oficial da estatal.

A paralisação acrescenta uma nova etapa às negociações entre trabalhadores e empresa. Enquanto a categoria mantém a greve por tempo indeterminado, os Correios dizem trabalhar para preservar a prestação dos serviços postais. Novas decisões sobre o movimento podem alterar o funcionamento das unidades e das entregas nos próximos dias.