A líder da oposição venezuelana María Corina Machado, de 58 anos, foi anunciada nesta sexta-feira (10/10), em Oslo, como vencedora do Prêmio Nobel da Paz de 2025. Ela atua em defesa de eleições livres e de um governo representativo.
Segundo o Comitê Norueguês do Nobel, ela recebeu a láurea “por seu trabalho incansável na promoção dos direitos democráticos do povo da Venezuela”. Além de sua militância política, María teve sua candidatura à Presidência do país barrada em 2024.
Em 2023, ela havia sido impedida de exercer cargos públicos na Venezuela por 15 anos por “erros e omissões em suas declarações juramentadas de bens”, segundo a Controladoria-Geral da República do país.
Durante o anúncio, o comitê destacou o papel da líder em documentar e denunciar irregularidades eleitorais no país.
A Freedom House, organização que monitora a democracia e os direitos humanos, afirma que as instituições democráticas da Venezuela se deterioraram desde 1999.
Segundo a organização, as condições políticas pioraram acentuadamente nos últimos anos devido à repressão do regime de Nicolás Maduro.
Quem é a laureada
María Corina Machado nasceu em Caracas, na Venezuela, em 1967. A premiada se formou em engenharia industrial antes de ingressar na política. Tem especialização em finanças pelo Instituto de Estudos Superiores de Administração (IESA), prestigiada escola de negócios da Venezuela.
Ela participou do programa de líderes mundiais em políticas públicas da Universidade de Yale, nos Estados Unidos. Em 2002, fundou a Súmate, grupo voluntário que promove direitos políticos e monitora eleições.
Ao ser impedida de se candidatar às eleições presidenciais em 2024, declarou, então, apoio ao candidato Edmundo González Urrutia. Em maio de 2012, fundou o Vente Venezuela, partido político do qual é coordenadora e que apoiou sua candidatura nas eleições primárias, que ela venceu.
Machado descreve a doutrina econômica do partido como liberal e propõe uma alternativa contrária ao socialismo para Caracas. A líder opositora está ligada ao cenário político há pelo menos 25 anos.
Carreira política
Em 2010, María Corina Machado foi eleita deputada à Assembleia Nacional pelo estado de Miranda, com mandato iniciado em 2011. À época, foi uma das candidatas mais votadas entre os eleitos.
Dois anos depois, participou das primárias presidenciais da Mesa da Unidade Democrática, coalizão de partidos opositores ao chavismo. Obteve 3,81% dos votos e ficou em terceiro lugar, enquanto Henrique Capriles, do Primero Justicia, venceu com 64,33%.
Em fevereiro de 2014, Machado se uniu a Leopoldo López, do Voluntad Popular, e Antonio Ledezma, da Alianza al Bravo Pueblo, para convocar uma série de protestos conhecidos como “A Saída”, que se estenderam até junho de 2014.
O movimento exigia o restabelecimento da ordem democrática e denunciava a crise econômica, a inflação, a escassez de alimentos, a insegurança e as falhas nos serviços públicos.
Segundo a Procuradoria-Geral da República, as manifestações deixaram 43 mortos, 486 feridos e 1.854 detidos.
Os episódios integram o chamado caso Venezuela I no Tribunal Penal Internacional, que investiga possíveis crimes contra a humanidade cometidos no país desde 12 de fevereiro de 2014 por agentes do Estado, militares, forças de segurança e grupos civis aliados ao governo.
O regime de Nicolás Maduro nega as acusações e afirma que não houve crimes dessa natureza na Venezuela.
Cronograma do Nobel 2025
- Medicina: segunda-feira (6/10)
- Física: terça-feira (7/10)
- Química: quarta-feira (8/10)
- Literatura: quinta-feira (9/10)
- Paz: sexta-feira (10/10)
- Economia: segunda-feira (13/10)
O que é o Prêmio Nobel
Criado pelo químico e empresário Alfred Nobel, inventor da dinamite em 1867, o prêmio foi instituído a partir de seu testamento, que destinou a maior parte de sua fortuna à criação das premiações de Física, Química, Medicina, Literatura e Paz. O Nobel de Economia foi criado posteriormente.
Segundo o documento, as honrarias devem ser concedidas “àqueles que, durante o ano anterior, tenham conferido o maior benefício à humanidade”.
Com o tempo, o critério se tornou mais flexível. De acordo com Juleen Zierath, membro do Instituto Karolinska, que participa do júri do Nobel de Medicina, o reconhecimento pode ocorrer em qualquer momento da carreira.
“Você pode ter feito a descoberta em um estágio inicial ou muito avançado da trajetória de pesquisa”, explicou a cientista.
