Uma das propostas levantadas pelos sindicalistas durante a assembleia do Sindicato dos Metroviários de São Paulo na noite desta quarta-feira (11/2) é a realização de uma greve para o dia 25 de fevereiro, uma quarta-feira. A diretoria da entidade, porém propôs um “calendário de mobilização”, sem concordar uma paralisação para o dia 25.
A ideia também desagradou aparentemente a maioria dos trabalhadores que participaram de maneira presencial. A maior parte, contudo, assistiu ao encontro de maneira online.
“É importante fazer mais pressão sobre o governo, então proponho uma greve no dia 25 [de fevereiro], uma quarta, com assembleia no dia 23”, afirmou um dos participantes na assembleia realizada no bairro do Belém, zona leste da Capital.
Na sequência, a diretora de imprensa e ex-presidente do sindicato, Camila Lisboa, discordou da fala do colega, que seria de uma ala opositora. “A greve é um instrumento importante, mas tem que saber usar. E dia 25 não é o momento para uma greve”, afirmou ela, que gerou aplausos dos participantes.
As propostas serão votadas pelos participantes de maneira presencial e online, e o resultado deverá ser publicado só nesta quinta-feira (12/1).
Entre as reivindicações dos metroviários ao Metrô está a abertura de novos concursos públicos e o aumento de planos de carreira. Eles também criticaram a abertura de três Programas de Demissão Voluntária (PDVs) e cinco PDIs, sem reposição de funcionários. Segundo a entidade, a companhia não abre concursos públicos há oito anos.
A abertura de novos planos de desligamento sem a contratação de trabalhadores por concurso contribui para o esvaziamento do quadro funcional e amplia a terceirização de setores da empresa, afirmou a entidade.
‘Estado de greve’
No encontro, os sindicalistas descartaram a possibilidade de promover uma greve durante o Carnaval em São Paulo, e disse que parte da imprensa e da opinião pública entendeu errado o termo “estado de greve”, que a categoria entrou nos últimos dias.
“No nosso linguajar, estado de greve é estado de atenção, podendo ter greve ou não. Não estamos chamando uma greve para amanhã”, afirmou Altino Prazeres, um dos diretores do sindicato, durante sua fala.
Outros diretores também descartaram a possibilidade de uma greve dos metroviários durante o período carnavalesco na Capital. A afirmação foi dada pelo presidente Dagnaldo Gonçalves e pela diretora de imprensa Camila Lisboa à reportagem da Gazeta, pouco antes do encontro começar.
“Levaremos os paulistanos para os blocos”, garantiu Camila.
Os metroviários decretaram há alguns dias estado de greve após a rejeição do Plano de Carreira apresentado pela empresa. “Mas estado de greve não é nem greve marcada, é um estado de alerta. É improvável ter greve”, reafirmou Camila.
Dagnaldo também garantiu que não haverá a paralisação. “Vamos trabalhar no Carnaval, é garantido”, disse.
Entenda a situação dos metroviários
Além das críticas ao plano, a assembleia desta quarta discutirá a nova rodada do Programa de Demissão Incentivada (PDI), anunciada pela companhia.
Segundo o sindicato, o Metrô não realiza concurso público desde 2016 e, nesse período, abriu três Programas de Demissão Voluntária (PDVs) e cinco PDIs, sem reposição de funcionários.
A abertura de novos planos de desligamento sem a contratação de trabalhadores por concurso contribui para o esvaziamento do quadro funcional e amplia a terceirização de setores da empresa, afirmou a entidade.
O sindicato também afirma que ainda há inscritos em PDIs anteriores que aguardam definição sobre o desligamento.
A categoria defende a realização imediata de concurso público e a recomposição do quadro de funcionários.
A mobilização inclui o uso de camisetas da campanha entre terça e quinta-feira (10 e 12/2), como forma de pressionar a empresa a abrir negociação.
