Motoristas de aplicativos em São Paulo têm renda média líquida de R$ 3,8 mil

Pesquisa realizada pelo Instituto Badra em dezembro do ano passado mostra o perfil dos motoristas de aplicativo na capital paulista

Maioria dos motoristas em São Paulo é de homens, representando 90% do total, enquanto apenas 10% são mulheres

Maioria dos motoristas em São Paulo é de homens, representando 90% do total, enquanto apenas 10% são mulheres | Dan Gold/Unsplash

Uma pesquisa realizada pelo Instituto Badra em dezembro do ano passado mostra o perfil dos motoristas de aplicativos na cidade de São Paulo. 

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Utilizando uma amostragem por conveniência de 1.260 motoristas, a pesquisa investigou diversos aspectos, incluindo demografia, renda, jornada de trabalho, segurança, e percepções sobre a profissão. 

A pesquisa foi realizada entre os dias 3 e 19 de dezembro. A metodologia empregada, embora não probabilística, é detalhadamente descrita. A reportagem da Gazeta divulgou recentemente os bairros em que os mototáxis mais fizeram viagens

Os dados oficiais apontam que a capital paulista tem, hoje, cerca de 570 mil motoristas de aplicativos cadastrados na prefeitura.

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Os dados coletados foram analisados e apresentados com gráficos e tabelas, revelando características socioeconômicas e profissionais dos motoristas, além de suas opiniões sobre a atividade e os desafios enfrentados. Confira gráficos abaixo: 

A pesquisa finaliza com cruzamentos de dados que aprofundam a compreensão das relações entre diferentes variáveis. 

Metodologia da pesquisa

A pesquisa foi realizada com 1.260 motoristas de aplicativo em São Paulo.

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A coleta de dados foi feita por meio de entrevistas, com os entrevistadores se passando por usuários dos aplicativos para abordar os motoristas. 

As entrevistas foram conduzidas por uma equipe treinada de seis entrevistadores e dois supervisores, abrangendo as quatro macrorregiões da cidade. 

Foi utilizado um questionário estruturado com 45 questões, sendo 36 direcionadas aos motoristas e 9 aos aplicadores. 

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O perfil dos motoristas de aplicativo na cidade de São Paulo, conforme levantamento estatístico realizado, revela diversos aspectos demográficos e socioeconômicos. 

Gênero e origem 

A maioria dos motoristas são homens, representando 90% do total, enquanto apenas 10% são mulheres.

A grande maioria, 87%, nasceu na cidade de São Paulo. Apenas 3% nasceram fora do estado de São Paulo.

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Entre os que não são da capital paulista, a maioria é natural de cidades da região metropolitana.

Idade, raça e estado civil

Quase metade dos motoristas (45%) têm entre 35 e 49 anos.

  • 58% se declararam brancos, enquanto 29% se identificaram como pardos ou morenos, 12% como pretos, 0,7% como amarelos ou asiáticos e 0,3% como indígenas;
     
  • A maioria dos motoristas, 60%, é casada, enquanto 27% são solteiros, 11% divorciados, 1% viúvos e 1% separados;
     
  • 78% são pais, e a maioria deles tem 2 ou 3 filhos.

Religião e educação

Há uma predominância de católicos (38%) e evangélicos (33%) entre os motoristas.

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Cerca de 21% dos motoristas têm nível superior, seja completo ou incompleto.

Situação profissional e financeira

  • 72% trabalham exclusivamente como motoristas de aplicativo, enquanto 28% têm outra atividade profissional.

Entre os que têm dois trabalhos, 62% consideram a outra atividade como principal.

Quase metade dos motoristas (47%) possui outra profissão, como vendedor, vigilante, corretor de imóveis, entre outros.

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A maioria dos motoristas trabalha mais de 8 horas por dia, com 37% trabalhando entre 8 e 10 horas diárias, e 36% trabalhando mais de 10 horas por dia.

A renda líquida mensal da maioria dos motoristas varia entre R$ 3 mil e R$ 5 mil.

Experiência e satisfação

  • A maioria dos motoristas, 71%, atua na área há mais de um ano.

A grande maioria dos motoristas gosta do que faz e não trocaria de atividade, com apenas 16% afirmando que trabalhariam em outra área se pudessem.

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A maioria dos motoristas aprova o comportamento dos passageiros, com 88% avaliando-os com quatro ou cinco estrelas.

Condições de trabalho e veículo

A maioria dos motoristas (75%) é proprietária do veículo que utiliza para trabalhar.

Entre os proprietários, 43% continuam pagando o financiamento do veículo.

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A maioria dos motoristas tem seguro para o veículo (88%).

Uma parcela significativa dos motoristas já se envolveu em acidentes de trânsito (14%), e destes, 26% tiveram vítimas.

  • 75% dos motoristas já foram multados durante a atividade;
     
  • 14% dos motoristas já foram assaltados, e 44% destes foram assaltados duas ou mais vezes.

Outras informações relevantes

A maioria dos motoristas (82%) prefere trabalhar como motorista de aplicativo a ter um emprego com carteira assinada.

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  • Metade dos motoristas acredita que há preconceito em relação à profissão;
     
  • A maioria dos motoristas (93%) não recebe nenhum tipo de benefício do governo.

Quase metade (47%) tem registro como Microempreendedor Individual (MEI).

Os principais problemas enfrentados pelos motoristas são o trânsito (39%) e o valor retido pelas operadoras dos aplicativos (28%).

Qual a proporção de motoristas que possui ensino superior?

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Segundo os dados da pesquisa, aproximadamente 21% dos motoristas de aplicativo na cidade de São Paulo possuem ensino superior, seja ele completo ou incompleto.

Especificamente, 12% dos motoristas concluíram o ensino superior, enquanto 9% têm o ensino superior incompleto. Adicionalmente, 1% possui especialização, mestrado ou doutorado, seja incompleto ou completo.

Qual a principal queixa dos motoristas com alta renda?

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Segundo a pesquisa, a principal queixa dos motoristas de aplicativo em São Paulo, mesmo entre aqueles com renda líquida superior a R$ 5 mil por mês, é o trânsito da cidade.

  • Trânsito: 39% dos motoristas com alta renda apontam o trânsito como o maior problema;
     
  • Valor retido pelos aplicativos: 28% mencionam o percentual retido pelas empresas de aplicativo como um grande incômodo;
     
  • Preço dos combustíveis: 14% dos motoristas com alta renda se queixam do preço dos combustíveis;
     
  • Violência/insegurança: 9% dos motoristas com alta renda mencionam a violência e a insegurança como fatores problemáticos;
     
  • Condição das vias: 4% indicam a má condição das vias públicas:
     
  • Relação com outros personagens do trânsito: 3% mencionam problemas na relação com outros atores no trânsito;
     
  • Relação com o público usuário: 3% apontam problemas na relação com os passageiros.

A pesquisa revela que, apesar da alta renda, os motoristas ainda enfrentam desafios significativos no seu dia a dia, com o trânsito sendo o principal fator de insatisfação. É importante notar que 66% dos motoristas que faturam mais de R$ 5 mil por mês trabalham mais de 10 horas por dia para alcançar essa renda.

Qual o principal motivo para atuarem como motoristas?

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De acordo com a pesquisa, o principal motivo para os motoristas atuarem como motoristas de aplicativos em São Paulo é a busca por transformar sua realidade. Este motivo é citado por 43% dos entrevistados como resposta espontânea. Além disso, outros motivos também foram mencionados:

  • Garantir recursos para sobrevivência: 21% dos motoristas mencionaram essa razão;
     
  • Complementar a renda: 20% dos motoristas indicaram essa motivação;
     
  • Ter o próprio negócio: 5% mencionaram esse motivo;
     
  • Poder trabalhar no horário que quiser: 4% mencionaram essa razão.

A pesquisa aponta que há um viés empreendedor presente nas respostas espontâneas dos motoristas. Isso indica que muitos deles veem a atividade como uma forma de ter mais autonomia e buscar melhores condições de vida.

Qual a renda líquida média mensal dos motoristas?

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Segundo a pesquisa, a renda líquida média mensal dos motoristas de aplicativo em São Paulo é de R$ 3,8 mil. Os dados mostram que a renda da maioria dos motoristas se concentra na faixa entre R$ 3 mil e R$ 5 mil por mês.

Distribuição detalhada da renda líquida mensal dos motoristas:

  • Até R$ 2.500: 5%1;

  • Mais de R$ 2.500 e até R$ 3.000: 11%;
     
  • Mais de R$ 3.000 e até R$ 3.500: 15%;
     
  • Mais de R$ 3.500 e até R$ 4.000: 19%;
     
  • Mais de R$ 4.000 e até R$ 4.500: 21%;
     
  • Mais de R$ 4.500 e até R$ 5.000: 13%;
     
  • Mais de R$ 5.000: 15%

É importante destacar que 66% dos motoristas que faturam mais de R$ 5.000 por mês trabalham mais de 10 horas por dia para alcançar essa renda.