Bairro com com o maior taxa de crimes em São Paulo, ao lado do Jardim Europa, Pinheiros registrou 467 ocorrências nos últimos 12 meses, e lidera o ranking de ocorrências na cidade, segundo levantamento realizado pelo “Crime Brasil“, exclusivo à Gazeta.
Os dados levam em conta a taxa de furto+roubo por 100 mil habitantes com a renda domiciliar per capita média do Censo 2022 (IBGE), por área de ponderação, para dez áreas da capital e foram cruzados com registros de bolentins de ocorrências apresentados na SSP-SP (Secretaria de Segurança Pública de São Paulo).
Na região, segundo o levantamento, a Avenida Rebouças é o local com o mair número de crimes, sendo 24 roubos e 92 furtos, totalizando 116 ocorrências. Em seguida vem a Rua Mourato Coelho, com 74 ocorrências, sendo 20 roubos e 54 furtos.
Na terceira posição está a Avenida Brigadeiro Faria Lima, com 67 ocorrências, sendo 54 furtos e 20 roubos. A Rua dos Pinheiros registrou 67 crimes, sendo 51 furtos denunciados e 16 roubos.
Confira as informações completas:

De acordo com o Crime Brasil, as sete vias mais visadas de Pinheiros já nascem com nota máxima no motor de risco da plataforma (letra F, nota acima de 960 em escala de 0 a 1.000), o que quer dizer que essas mesmas vias já figuram entre as mais arriscadas quando olhadas para a cidade toda, não só dentro do bairro.
Em todas as sete, furto responde por uma fatia bem maior das ocorrências do que roubo. O padrão predominante aponta para uma subtração sem confronto, não assalto a mão armada.
- Avenida Rebouças, a via com mais ocorrências do bairro, é também a mais comprida e a mais comercial das sete, cortando Pinheiros de ponta a ponta com concessionária, banco, hospital e fluxo intenso de carro e pedestre o dia inteiro; o volume alto acompanha o volume de gente e de vitrine exposta, não um ponto único de risco.
- Rua Mourato Coelho, a segunda colocada, é a espinha dorsal da vida noturna de Pinheiros/Vila Madalena, bar, botequim e restaurante concentrados em poucos quarteirões, com pico de movimento à noite e fim de semana. O bloco “Bar/Botequim” do tipo de local (23 ocorrências nas sete vias) se concentra desproporcionalmente aqui, junto com “Transeunte”, o padrão típico de furto de celular e pertences em ambiente de aglomeração noturna.
- Avenida Brigadeiro Faria Lima e Rua Fradique Coutinho somam a maior parte das ocorrências ligadas a “Agência” (banco) e a estação de metrô, reflexo direto de serem, ao mesmo tempo, corredor bancário/corporativo e entrada/saída de metrô, dois motivos independentes para concentrar gente e crime patrimonial no mesmo trecho.
Bairros mais ricos de São Paulo registram maiores índices nas taxas de crimes da cidade
Um novo levantamento realizado pelo “Crime Brasil“, exclusivo à Gazeta, identificou que os bairros mais ricos de São Paulo lideram os indíces nas taxas de crime na cidade. Das nove áreas com renda acima da média da cidade, oito também têm taxa de crime acima da média. O Grajáu, único bairro com renda abaixo da média, também está abaixo da média nas duas métricas ao mesmo tempo.
Segundo o levantamento, os bairros do Alto de Pinheiros e Jardim Europa, ambos localizados na zona oeste da capital paulista, lideram o ranking de taxas de crimes.
A taxa de crime nessas duas regiões foi de 126. Já a renda per capital média é de R$ 15.742/mês, quase 5,4× a média da cidade, em cada uma delas.
De acordo com o “Crime Brasil”, esses números apresentam um sinal de que renda alta sozinha não garante taxa alta: o que eleva a taxa é renda alta combinada com função comercial e circulação, não a riqueza residencial isolada de um bairro fechado e majoritariamente residencial.
Isso não quer dizer que morador rico é mais vitimado individualmente. Quer dizer que bairro rico concentra mais comércio, mais gente de fora circulando e mais objeto de valor exposto (carro, loja, celular), o que aumenta ocorrências por habitante fixo. É o mesmo efeito do bairro turístico que “sofre mais crime” que o bairro dormitório ao lado.
