O caso de feminicídio envolvendo o tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto teve novo avanço nesta segunda-feira (5/10), em São Paulo. Réu pela morte da soldado Gisele Alves Santana, o militar apresentou sua versão durante um interrogatório realizado no Fórum Criminal da Barra Funda.
Interrogatório terminou após oito horas
O interrogatório começou por volta das 13h42 e terminou às 22h06. O procedimento teve uma breve pausa durante a tarde e foi retomado em seguida.
Rosa Neto chegou ao fórum acompanhado por escolta. O tenente-coronel está preso desde março no Presídio Militar Romão Gomes, na zona norte de São Paulo.
O acusado poderia permanecer em silêncio durante o ato. O Código de Processo Penal garante esse direito e determina que o silêncio não pode ser usado contra a defesa.
No entanto, o militar decidiu responder às perguntas e apresentar sua versão dos fatos. O conteúdo completo do interrogatório permanece sob sigilo judicial.
Caso envolve morte de soldado da PM
Gisele Alves Santana tinha 32 anos e morreu após ser atingida por um disparo na cabeça. O caso ocorreu em fevereiro, no apartamento onde ela vivia com o marido, na região central de São Paulo.
A ocorrência foi inicialmente registrada como suicídio. Depois, a investigação mudou de direção e passou a tratar a morte como suspeita.
Geraldo Leite Rosa Neto nega o feminicídio. Segundo a versão apresentada anteriormente pelo acusado, Gisele teria cometido suicídio.
A investigação também apurou possíveis sinais de violência no corpo da vítima. Exames realizados após a exumação identificaram lesões na face e na região cervical.
Novo laudo afasta hipótese de suicídio
Um laudo complementar do Instituto de Criminalística trouxe novos elementos para o processo. O documento manteve a conclusão de que Gisele não poderia ter efetuado o disparo contra a própria cabeça.
A perícia também apontou inconsistências entre a dinâmica apresentada inicialmente e os vestígios encontrados no local. O documento sustenta a participação de uma segunda pessoa na morte.
O resultado reforçou a linha de investigação que levou à acusação de feminicídio. Ainda assim, a responsabilidade criminal do réu depende da decisão judicial.
Próximas etapas do processo
Antes do interrogatório, a Justiça ouviu 30 testemunhas de acusação e defesa. As audiências terminaram no início de julho.
O interrogatório havia sido adiado três vezes. A defesa pediu a complementação de exames realizados pelo Instituto de Criminalística antes que o acusado fosse ouvido.
Com o encerramento dessa etapa, Ministério Público e defesa devem apresentar manifestações por escrito. Depois, a juíza Michelle Porto de Medeiros Cunha Carreiro decidirá se o processo seguirá para julgamento pelo Tribunal do Júri.
O feminicídio passou a ser um crime autônomo no Código Penal após a Lei nº 14.994/2024. A legislação considera essa modalidade quando a morte de uma mulher ocorre por razões relacionadas à condição feminina, incluindo situações de violência doméstica e familiar.
O caso de Gisele segue em tramitação na Justiça de São Paulo. A definição sobre eventual julgamento pelo júri ocorrerá após a análise das manifestações das partes.
Em situações de violência contra a mulher, o Ligue 180 recebe denúncias e oferece orientação gratuita 24 horas por dia. O serviço também funciona pelo WhatsApp e encaminha os casos aos órgãos responsáveis.
