Na semana passada fui visitar uma colega, tudo fluindo bem até que ela me deu um susto: revelou que tomou amoxicilina para resolver seu problema de sinusite. “Mas como assim?”, perguntei, “É que da última vez que tive dor assim só isso resolveu, aproveitei que sobrou o remédio aqui em casa e tomei”.
O estrago já estava feito, mas de qualquer forma reforcei: não tome esse remédio!
Não porque a amoxicilina é um medicamento ruim, longe disso. O problema está na automedicação. Apesar do antibiótico ter funcionado naquele caso específico, não significa que pode continuar sendo usado em outras situações. Para começar, a maioria das sinusites é causada por vírus, e contra vírus o antibiótico não faz efeito nenhum.
Riscos da automedicação
Quando tomamos antibiótico sem recomendação médica, por mais dias do que deveríamos ou interrompendo o tratamento antes da hora, estamos fortalecendo as bactérias, criando superbactérias resistentes para as quais os remédios podem falhar no futuro.
Além disso, o medicamento destrói a flora intestinal (bactérias boas), abrindo caminho para diarreia e candidíase (em mulheres), e causa efeitos colaterais como náuseas e alergias.
Por que nem todo remédio serve para tudo?
As doenças respiratórias mais comuns têm sintomas muito parecidos, mas causas bem diferentes:
- Gripe: causada pelo vírus Influenza. Provoca febre alta súbita, dor no corpo intensa, cansaço e tosse seca.
- Resfriado: infecção viral mais leve. Gera coriza, espirros, febre baixa ou ausente e dor de garganta branda.
- Sinusite: inflamação das mucosas nasais. Na grande maioria das vezes é viral, mas pode ser bacteriana. Causa pressão na face, entupimento nasal e secreção espessa.
- Bronquiolite (RSV): causada pelo Vírus Sincicial Respiratório. Afeta muito os bebês e provoca chiado e dificuldade para respirar.
Como cada uma tem uma origem, o remédio que serviu da outra vez pode não funcionar agora.
Como tratar doenças respiratórias da forma correta
Segundo a Dra. Leila Crisigiovani, médica otorrinolaringologista e membro da Associação Brasileira de Otorrinolaringologia e Cirurgia Cérvico-Facial (ABORL-CCF), para quadros respiratórios leves o cuidado em casa costuma bastar, desde que não haja sinais de alerta.
A Dra. Leila explica como aliviar os sintomas leves em adultos e crianças:
- Febre e dor: paracetamol ou ibuprofeno nas doses adequadas ajudam no alívio da febre, dor de garganta e dores no corpo. Evite o uso de AAS (Aspirina) em crianças.
- Congestão nasal e espirros: descongestionante nasal deve ser usado apenas no curto prazo. Em adultos, a combinação de anti-histamínico com descongestionante ajuda. A solução salina ou soro fisiológico no nariz é segura para todas as idades.
- Hidratação e repouso: tome líquidos com frequência e observe a alimentação conforme a aceitação. Sintomas típicos duram de 3 a 10 dias no resfriado, mas podem se estender nos casos de Vírus Sincicial Respiratório (RSV).
- Antivirais na gripe: em casos suspeitos de Influenza com início em até 48 horas, o uso de antivirais pode reduzir complicações. Essa opção deve ser considerada especialmente em grupos de risco.
Sinais de alerta: quando procurar atendimento médicos
A Dra. Leila Crisigiovani reforça que é preciso buscar ajuda médica imediatamente caso surjam os seguintes sintomas:
Em qualquer idade: Falta de ar, respiração rápida ou chiado, dor no peito, confusão mental, tontura persistente, convulsões, fraqueza acentuada, piora dos sintomas após uma melhora, febre igual ou maior que 38,5°C por mais de 3 dias (ou que retorna), tosse persistente com pus e sinais de desidratação, como pouca urina.
Em crianças: Coloração pálida ou azulada nos lábios e unhas, esforço visível para respirar (afundamento das costelas), recusa de líquidos ou alimentos, sonolência incomum ou irritabilidade. Vale destacar que qualquer febre igual ou maior que 38,0°C em bebês menores de 12 semanas requer avaliação médica imediata.
Grupos de risco: Idosos a partir de 65 anos, crianças menores de 2 anos, gestantes e pessoas com doenças no coração, no pulmão, diabetes ou imunossupressão devem procurar avaliação médica de forma mais precoce.







