No fundo do Mediterrâneo, perto da ilha de Kekova, na costa sul da Turquia, arqueólogos encontraram cerca de 30 recipientes cerâmicos e três âncoras de pedra. Os vestígios podem ter entre 4,4 mil e 4,7 mil anos, o que colocaria a embarcação entre as mais antigas já identificadas.
A madeira do barco não resistiu ao tempo, mas parte da carga permaneceu no leito rochoso. A equipe já havia documentado os vestígios em levantamentos anteriores; as escavações no local começaram em 2026. O achado se soma a outros registros de embarcações naufragadas, como os sítios arqueológicos submersos da Baía de Todos-os-Santos, que ajudam a reconstruir a história da navegação.
Cerâmicas ajudam a estimar a idade
Sem madeira preservada, os pesquisadores não podem datar o casco pelo método do carbono-14. Por isso, analisam o formato e a decoração dos recipientes e os comparam com peças de períodos conhecidos. A faixa de idade é uma estimativa arqueológica, não uma data exata.
Análises da argila indicam uma possível origem no vale do Jordão. Os recipientes podem ter transportado azeite ou vinho, mas os pesquisadores ainda investigam resíduos encontrados nas peças. Uma das ânforas chama atenção por apresentar nove marcas e dois orifícios. A equipe considera que ela talvez servisse para fazer queijo ou manteiga, hipótese que ainda precisa de confirmação.
Rota da embarcação permanece em aberto
As semelhanças entre as cerâmicas encontradas em Kekova e peças de outros sítios dão pistas sobre as conexões comerciais da época. Os pesquisadores levantam a hipótese de que o barco tenha partido da costa do Levante em direção a Troia ou Creta, mas ainda não há evidências que comprovem o trajeto.
A descoberta também chama atenção para o que cargas preservadas podem revelar sobre embarcações antigas. Em outro caso, arqueólogos investigam peças de um naufrágio do século 16 encontradas no fundo do mar.
Se a estimativa de idade se confirmar, o naufrágio de Kekova poderá ser mais antigo que o de Dokos, na Grécia, considerado um dos mais antigos conhecidos, com cerca de 4,2 mil anos. Por enquanto, os pesquisadores tratam o achado como um possível recordista.







