No meio de terremoto, ele escondeu milhões entre frutas para salvar seu banco; décadas depois, seu dinheiro veio a ajudar Disney e a Golden Gate

Filho de imigrantes italianos, homem criou um banco para atender trabalhadores ignorados pelas grandes instituições e transformou a ideia em um império

Amadeo Peter Giannini

Amadeo Peter Giannini, filho de imigrantes italianos e fundador da instituição que mais tarde se tornaria o Bank of America/Domínio público

Em meio aos escombros de San Francisco (EUA), um homem decidiu fazer algo que parecia absurdo naquele momento: enquanto a cidade ainda enfrentava incêndios e destruição, ele começou a emprestar dinheiro para quem precisava reconstruir a própria vida.

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O homem era Amadeo Peter Giannini, filho de imigrantes italianos e fundador da instituição que mais tarde se tornaria o Bank of America. A história, porém, começou muito antes do terremoto que devastou a cidade em 1906.

Giannini nasceu em 1870, na Califórnia, e deixou a escola aos 14 anos para trabalhar no comércio de frutas e verduras. Ainda jovem, acumulou experiência e dinheiro no setor antes de entrar no mundo bancário.

Banco para quem os outros ignoravam

No início do século 20, grandes bancos costumavam concentrar seus serviços em clientes ricos e empresas maiores. Giannini enxergava uma oportunidade justamente entre aqueles que ficavam de fora.

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Em 1904, ele fundou o Bank of Italy, em San Francisco. A instituição nasceu com uma proposta diferente: atender trabalhadores, pequenos comerciantes e principalmente imigrantes que tinham dificuldade para conseguir crédito.

Giannini chegou a percorrer as ruas do bairro para convencer moradores a colocar suas economias no banco. A estratégia funcionou. Em pouco tempo, os depósitos cresceram rapidamente.

Mas foi dois anos depois que sua história ganhou um capítulo que ajudaria a transformar o banco em um gigante.

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Amadeo escondeu o dinheiro do banco durante o terremoto

Em 18 de abril de 1906, um dos maiores terremotos da história de San Francisco atingiu a cidade. Os tremores foram seguidos por incêndios que destruíram boa parte da região.

Giannini correu até o banco e percebeu que o fogo poderia alcançar o prédio. Então, retirou o dinheiro e os títulos da instituição e os colocou em uma carroça usada para transportar produtos.

Para proteger o patrimônio, os valores foram escondidos sob frutas e verduras. Giannini levou o carregamento para um local seguro fora da área atingida.

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Enquanto outros bancos permaneceram fechados para avaliar os estragos, Giannini decidiu reabrir.

Ele montou uma espécie de agência improvisada no cais, usando uma tábua apoiada sobre dois barris como balcão. Dali, passou a conceder empréstimos para famílias e pequenos negócios que precisavam reconstruir San Francisco.

O diferencial era justamente a confiança. Em vez de exigir grandes garantias, Giannini concedia crédito levando em consideração a pessoa e sua capacidade de pagar.

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O banco que ajudou a financiar Hollywood

A estratégia fez o Bank of Italy crescer pela Califórnia. Giannini abriu novas agências e passou a financiar agricultores, comerciantes e diferentes setores da economia.

Depois, seus interesses chegaram ao cinema.

O banco financiou nomes como Charlie Chaplin e outros pioneiros de Hollywood. Em um dos casos mais famosos, Walt Disney precisava de dinheiro para concluir Branca de Neve e os Sete Anões, seu primeiro longa-metragem de animação.

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O projeto havia estourado o orçamento, mas Giannini decidiu apostar no filme. O empréstimo ajudou Disney a terminar a produção.

A relação de Giannini com a indústria cinematográfica não parou ali. Seu banco também participou do financiamento de produções de Frank Capra e outros nomes que ajudaram a consolidar Hollywood.

Amadeo Peter Giannin também ajudou a tirar a Golden Gate do papel

O banqueiro também apostou em um projeto que parecia gigantesco para a época: a construção da Golden Gate Bridge, em San Francisco.

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Durante a Grande Depressão, o engenheiro Joseph Strauss buscava financiamento para tirar a ponte do papel. Giannini decidiu comprar títulos que ajudariam a financiar a obra.

O Bank of America adquiriu US$ 6 milhões em títulos, permitindo que o projeto avançasse em um momento de forte crise econômica. A ponte seria inaugurada em 1937 e se transformaria em um dos maiores símbolos de San Francisco.

De um pequeno banco ao Bank of America

A expansão continuou durante as décadas seguintes. Em 1930, o Bank of Italy passou a se chamar Bank of America, consolidando uma instituição que já havia ultrapassado as fronteiras da comunidade italiana de San Francisco.

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Giannini morreu em 1949, aos 79 anos. Naquele momento, o banco que ele havia criado décadas antes já tinha mais de 500 agências e bilhões de dólares em ativos. A instituição havia se tornado uma das maiores do mundo.

A trajetória de Giannini chama atenção justamente pela quantidade de caminhos que sua atuação alcançou. O mesmo homem que começou atendendo pequenos imigrantes ajudou a financiar a reconstrução de San Francisco, participou da expansão de Hollywood e colocou dinheiro em uma das pontes mais famosas do planeta.

Por trás de tudo estava uma ideia simples: crédito não deveria ser reservado apenas para quem já tinha dinheiro. Foi apostando nessa visão que Amadeo Peter Giannini transformou um pequeno banco criado em 1904 em uma instituição que mudaria a história financeira dos Estados Unidos.