Nova espécie de planta descoberta no Cerrado recebe nome em homenagem a Marina Silva, mas já preocupa pesquisadores pelo risco de extinção

Espécime pode alcançar até 3 metros de altura, apresenta flores amarelas e sobrevive em áreas de vegetação ameaçadas pela expansão agrícola

A publicação científica que oficializou a identificação foi realizada na revista internacional Nordic Journal of Botany.

A publicação científica que oficializou a identificação foi realizada na revista internacional Nordic Journal of Botany. Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil/Divulgação

Uma nova espécie de planta foi reconhecida pela ciência em 2026, após pesquisadores identificarem características que a diferenciavam de outras espécies. O registro ocorreu no Jalapão, no Tocantins, e o nome científico escolhido presta homenagem à ex-ministra do Meio Ambiente Marina Silva.

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Características do Cerrado brasileiro que ajudam a explicar sua biodiversidade e os riscos de conservação

Como os pesquisadores identificaram a espécie

A identificação ocorreu durante uma pesquisa botânica que analisou exemplares da flora tocantinense. A equipe examinou características físicas das plantas e comparou os registros disponíveis em coleções científicas.

O estudo envolveu Késia Ramos Miranda, Raiana Rocha de Souza, Marcelo Fragomeni Simon e Juliana Gastaldello Rando. Os pesquisadores encontraram diferenças importantes em relação à Chamaecrista juruenensis, espécie com a qual o vegetal era confundido.

As análises consideraram aspectos como a coloração dos ramos, o formato das folhas e as características dos frutos. Essas diferenças permitiram confirmar que os exemplares pertenciam a uma espécie ainda não descrita pela ciência.

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O trabalho foi publicado em 19 de outubro de 2026, na revista científica Nordic Journal of Botany. O artigo apresenta a descrição botânica, a distribuição geográfica e informações sobre a conservação da planta.

Características da nova espécie de planta

A Chamaecrista marinasilvae pertence à família Fabaceae, que reúne plantas conhecidas como leguminosas. Seu porte varia entre 1,5 metro e 3 metros de altura.

A espécie pode crescer como arbusto ou apresentar estrutura semelhante à de uma árvore fina. Seus ramos possuem tonalidades avermelhadas ou esbranquiçadas, enquanto as flores apresentam coloração amarela.

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A planta ocorre em áreas de campo sujo e cerrado rupestre. Esses ambientes apresentam vegetação característica do Cerrado e terrenos com presença de areia e pedras.

Os registros científicos indicam ocorrência em altitudes entre 506 e 666 metros. Essas informações ajudam os pesquisadores a compreender as condições ambientais necessárias para o desenvolvimento da espécie.

Planta já enfrenta risco de extinção

Mesmo após o reconhecimento científico, a espécie enfrenta ameaças ambientais. A avaliação preliminar realizada pelos pesquisadores classificou a Chamaecrista marinasilvae como Em Perigo (EN), conforme os critérios da União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN).

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A expansão agrícola na região do Matopiba aparece entre os principais fatores de ameaça. O avanço das atividades agropecuárias pode provocar desmatamento e reduzir os espaços disponíveis para a vegetação nativa.

Além disso, o turismo e os incêndios também representam riscos para os ambientes onde a planta ocorre. A distribuição geográfica restrita aumenta a preocupação com a perda dessas áreas.

Parte dos registros está dentro da Estação Ecológica Serra Geral do Tocantins. A unidade de conservação é administrada pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio).

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Segundo informações do ICMBio, a estação possui mais de 707 mil hectares e abrange municípios do Tocantins e da Bahia.

Marina Silva comenta a homenagem

Marina Silva agradeceu aos pesquisadores pela escolha do nome científico. Em publicação nas redes sociais, a ex-ministra destacou a importância do trabalho científico para ampliar o conhecimento sobre a biodiversidade brasileira.

Ela também informou que essa é a terceira vez que uma espécie biológica recebe seu nome. A homenagem reforça a relação entre sua trajetória pública e a defesa da conservação ambiental.

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A identificação da Chamaecrista marinasilvae também amplia o conhecimento sobre a flora brasileira. O registro científico permite documentar características da espécie e fornece informações para orientar futuras pesquisas e medidas de proteção.