Nova ferramenta de IA desenvolvida pela USP consegue prever a rota e a intensidade de tempestades com até 30 minutos de antecedência

A tecnologia combina dados de radares meteorológicos e redes neurais para acompanhar a evolução da chuva e auxiliar na emissão de alertas

A instabilidade deve perder força a partir de quinta, quando o tempo volta a ficar mais seco em boa parte do estado.

O sistema foi testado com dados coletados por um radar meteorológico instalado em Biritiba Mirim, na Região Metropolitana de São Paulo. Foto: Divulgação/Governo do Estado de São Paulo

Intensidade de tempestades pode ser estimada com mais rapidez por uma nova ferramenta de inteligência artificial desenvolvida na Universidade de São Paulo (USP) e apresentada em 2026.

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O sistema combina dados de radar meteorológico e aprendizado de máquina para gerar previsões de curtíssimo prazo em áreas monitoradas no estado de São Paulo.

Como a IA acompanha as tempestades

A ferramenta recebeu o nome de TITAN-LSTM. O sistema une duas tecnologias com funções diferentes durante a análise dos eventos de chuva.

O TITAN identifica e acompanha cada tempestade observada pelo radar. Ele calcula informações como posição, direção e velocidade de deslocamento.

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A LSTM usa esses dados para analisar a evolução da chuva. A rede neural considera o histórico recente do fenômeno para estimar mudanças na área e na intensidade da precipitação.

Previsão chega a 30 minutos

O modelo produz previsões para períodos entre cinco e 30 minutos. Os pesquisadores também avaliaram como o tamanho do histórico usado pela rede interfere nos resultados.

O estudo indica que o desempenho melhora quando a inteligência artificial recebe mais informações sobre a evolução anterior da tempestade. Assim, o sistema consegue considerar não apenas a situação atual, mas também mudanças registradas nos minutos anteriores.

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Testes mediram a intensidade da chuva

Os pesquisadores utilizaram dados de um radar meteorológico instalado em São Paulo. O conjunto analisado reúne registros de 2016 a 2019, com atualizações feitas a cada cinco minutos.

A pesquisa selecionou 439 tempestades para o desenvolvimento e a validação do modelo. Desse total, 307 eventos serviram para treinar a rede neural. Outros 132 foram usados para avaliar o desempenho do sistema.

Os resultados mostraram erros de aproximadamente 3 milímetros por hora na estimativa da taxa de chuva com cinco minutos de antecedência. Aos 30 minutos, o erro chegou a cerca de 4 milímetros por hora.

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O estudo também registrou melhora na identificação das áreas atingidas pela chuva. Na avaliação científica, o uso de históricos mais longos reduziu os erros na estimativa da área de precipitação.

Ferramenta usa menos processamento

Um dos pontos analisados pelos pesquisadores foi o custo computacional. O TITAN-LSTM trabalha com informações numéricas extraídas das tempestades acompanhadas pelo radar.

Esse formato reduz a necessidade de processar grandes sequências de imagens. Segundo a pesquisa, a proposta pode funcionar com menor demanda computacional que algumas arquiteturas de aprendizado profundo.

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A ferramenta também foi desenvolvida para permitir adaptação a diferentes radares. Essa possibilidade depende das características e dos dados disponíveis em cada equipamento.

Tecnologia pode apoiar alertas de chuva

A previsão de intensidade de tempestades pode fornecer informações para sistemas que acompanham riscos causados pela chuva. A antecedência de alguns minutos pode ajudar na análise de áreas que poderão receber volumes elevados de precipitação.

O trabalho também tem relação com projetos voltados à previsão de alagamentos e enchentes. A FAPESP mantém financiamento para uma pesquisa que busca integrar radar meteorológico e aprendizado de máquina à previsão de eventos hidrológicos.

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O TITAN-LSTM ainda possui limitações. A versão estudada considera tempestades que podem ser acompanhadas como um único sistema. Os pesquisadores já trabalham com situações mais complexas, nas quais tempestades podem se unir ou se dividir.

A pesquisa foi publicada em 2026 no Journal of Geophysical Research: Machine Learning and Computation. O artigo científico apresenta os detalhes do método, dos testes e dos resultados obtidos com os dados de radar.

A evolução do sistema poderá ampliar seu uso em diferentes regiões que tenham cobertura de radar.