Novo dinossauro de 57 cm encontrado na China ajuda a explicar por que aves e seus parentes desenvolveram estruturas relacionadas ao voo

Fóssil quase completo preservou marcas de plumagem e permitiu comparar mudanças evolutivas entre microraptoríneos e aves

Reconstrução artística do Norellraptor barsboldi, novo dinossauro com penas identificado a partir de um fóssil encontrado na China. (Foto: Reprodução/Zhao Chuang)

Um pequeno dinossauro coberto por penas está ajudando cientistas a reconstruir uma parte da história do voo. O fóssil do Norellraptor barsboldi, encontrado no nordeste da China, tem cerca de 57 centímetros e está quase completo, com partes da plumagem preservadas.

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O achado pertence aos microraptoríneos, grupo de pequenos dinossauros predadores próximos das aves na árvore evolutiva. O estudo que descreve a nova espécie foi publicado em 29 de setembro na revista Nature Communications.

Um fóssil raro

O exemplar foi encontrado nas proximidades de Lamadong, na província chinesa de Liaoning. O esqueleto pertence à Formação Jiufotang, do Cretáceo Inferior, e apresenta uma preservação considerada excepcional pelos pesquisadores.

Além dos ossos, o fóssil guarda impressões relacionadas à plumagem. Segundo o estudo, há evidências de penas próximas ao braço direito, à região do sacro, à cauda e à perna direita. Algumas estruturas preservadas próximas à mão podem corresponder a penas assimétricas.

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O material recebeu o nome Norellraptor barsboldi. O gênero homenageia o paleontólogo americano Mark Allen Norell, enquanto o nome da espécie faz referência ao paleontólogo mongol Rinchen Barsbold. Os dois pesquisadores morreram em 2025 e tiveram trabalhos importantes no estudo de dinossauros próximos das aves.

O que o voo revela

Os microraptoríneos já são conhecidos por apresentar características relacionadas à locomoção aérea. Alguns integrantes do grupo tinham penas longas nos membros anteriores e posteriores, o que tornou esses animais importantes para as pesquisas sobre a evolução do voo.

O novo estudo comparou 194 mudanças evolutivas identificadas nos microraptoríneos com as características observadas na linhagem das aves. Cerca de 30% delas também aparecem nas aves, mas existe uma diferença fundamental: a ordem em que essas transformações surgiram não foi a mesma.

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Nos microraptoríneos, determinadas mudanças nas mãos ocorreram antes de outras alterações do esqueleto. Na linhagem das aves, a sequência foi diferente. Para os pesquisadores, essa diferença enfraquece a hipótese de que os dois grupos tenham seguido um mesmo padrão de desenvolvimento herdado de um ancestral comum.

O resultado apoia a possibilidade de que características relacionadas ao voo tenham surgido de maneira independente em diferentes linhagens de parentes das aves. Os próprios autores, porém, indicam que a interpretação precisa ser testada com novos fósseis e mais evidências de crescimento ósseo.

Dinossauro tinha pelo menos três anos

O fóssil também permitiu estimar a idade do animal. Para isso, os pesquisadores analisaram microscopicamente o osso do antebraço.

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A presença de marcas de crescimento levou a uma estimativa mínima de três anos de vida quando o animal morreu. O estudo considera que o exemplar estava em uma fase posterior à juvenil, mas ainda não havia atingido necessariamente todas as características de um adulto plenamente desenvolvido.

Essa análise é importante porque o crescimento dos membros pode ajudar a entender como as estruturas associadas ao voo se desenvolviam ao longo da vida.

Uma hipótese ainda em estudo

A descoberta não encerra o debate sobre como o voo surgiu entre os dinossauros próximos das aves. O que o fóssil acrescenta é uma nova comparação entre duas linhagens que desenvolveram características semelhantes em momentos diferentes de sua evolução.

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O Norellraptor barsboldi passa, assim, a integrar o conjunto de fósseis que permite investigar uma questão central da paleontologia: características parecidas necessariamente vieram de um mesmo caminho evolutivo?

Para responder, os pesquisadores apontam a necessidade de encontrar mais exemplares e ampliar as análises de crescimento ósseo. O fóssil de 57 centímetros oferece uma peça importante, mas a história completa ainda depende de outros registros preservados nas rochas.