Pazuello diz que não pedirá para deixar o Ministério da Saúde

Pazuello tem enfatizado que não vai pedir para deixar o governo, mas já havia sinalizado querer voltar para seu posto no Comando Militar da Amazônia

Ministro da Saúde, Eduardo Pazuello; Conass pede que a pasta se comprometa e inclua o imunizante do Butantan em cronograma

Chefe interino do Ministério da Saúde, general Eduardo Pazuello assumiu cargo após saída de Teich | /Najara Araujo/Câmara dos Deputados

O chefe interino do Ministério da Saúde, general Eduardo Pazuello é o motivo mais recente da crise durante a pandemia envolvendo as Forças Armadas e o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Gilmar Mendes. Porém, apesar da crise, Pazuello tem enfatizado que não vai pedir para deixar o Ministério da Saúde, mas já havia sinalizado querer voltar para seu posto no Comando Militar da Amazônia.

As informações são do jornal “O Estado de S. Paulo”.

O argumento do general para não deixar o governo, segundo interlocutores, é que ele foi convocado para uma missão e cabe ao presidente, chefe das Forças Armadas, a dispensá-lo.

Pazuello estava no comando do 12º Região Militar, que engloba Amazonas, Acre, Rondônia e Roraima, quando aceitou no final de abril o convite para integrar o ministério como secretário-executivo do então ex-ministro Nelson Teich.

Ao aceitar a “missão”, como Pazuello se refere à sua passagem na Saúde, ficou acertado com o presidente que ele e seu grupo ficariam entre 90 e 100 dias no governo. Com a saída de Teich, em 15 de maio, o general assumiu interinamente a pasta quando o País registrava 14.962 óbitos. Atualmente, o Brasil contabiliza com mais 75 mil mortes, segundo dados do consórcio de veículo de imprensa.

Até agora, de acordo com a reportagem, Bolsonaro não sinalizou que vai estender o período da “intervenção militar” no ministério. Com isso, militares que atuam com o ministro interino seguem trabalhando com a previsão de deixar os cargos na Saúde no máximo até setembro.

Pazuello não descarta estender sua permanência temporária no governo até o final do ano para reestruturar o ministério, se este for o pedido de Bolsonaro. Entretanto, sinaliza a interlocutores a vontade de reassumir o trabalho na 12.ª Região Militar, onde oficialmente segue no comando. A sala do general segue montada com nome na porta e objetos pessoais.

Porém, em 29 de junho, o Alto Comando do Exército já designou o general de divisão Edson Rosty para o posto. A nomeação de Rosty está prevista para ser oficializada no final deste mês, junto com as promoções do Exército, mas ainda precisa ser assinada por Bolsonaro. Segundo integrantes do Exército, Bolsonaro pode atuar para reconduzir Pazuello ao comando da 12ª Região Militar, mas não seria uma medida bem vista.