Ponto Nemo: o verdadeiro segredo do lugar mais isolado do mundo

Longe de tudo e de todos, o ponto mais inacessível da Terra virou o destino final de satélites e estações espaciais desativadas.

Vista do Oceano Pacífico Sul na região do Ponto Nemo, o ponto mais isolado da Terra e destino final de satélites fora de operação (Foto: Wikimedia Commons)

Vista do Oceano Pacífico Sul na região do Ponto Nemo, o ponto mais isolado da Terra e destino final de satélites fora de operação (Foto: Wikimedia Commons)

Se você já sentiu aquela vontade avassaladora de sumir do mapa e esquecer os boletos, saiba que existe um lugar perfeito para isso.

Continua após a publicidade

Mas esqueça a imagem clássica de uma ilha paradisíaca com coqueiros e águas mornas no meio do nada.

O verdadeiro ponto mais isolado e inacessível de todo o planeta Terra fica escondido em um cenário muito mais misterioso, frio e tecnológico.

O que é e onde fica o lendário Ponto Nemo?

Oficialmente batizado como Polo Oceânico de Inacessibilidade, a região ganhou o apelido famoso de Ponto Nemo.

Continua após a publicidade

O nome é uma homenagem direta ao icônico Capitão Nemo, o personagem solitário do livro “Vinte Mil Léguas Submarinas”, de Júlio Verne.

Localizado no coração do Oceano Pacífico, esse ponto geográfico representa o isolamento máximo que alguém pode experimentar no mundo.

Uma distância que desafia a nossa imaginação

Para você ter uma ideia do isolamento, a porção de terra firme mais próxima dali fica a impressionantes 2.688 quilômetros de distância.

Continua após a publicidade

Quem se aventura por aquelas coordenadas está cercado apenas por três ilhas remotas e completamente distintas entre si:

  • Ao Norte: A deserta Ilha Ducie, que faz parte do território das Ilhas Pitcairn.
  • A Nordeste: Motu Nui, uma das pequenas ilhas que cercam a famosa Ilha de Páscoa.
  • Ao Sul: A gelada e inóspita Ilha Maher, localizada na costa da Antártica.

O cálculo exato desse meio do nada foi feito pelo engenheiro croata Hrvoje Lukatela apenas em 1992, usando computadores e satélites de GPS.

O deserto biológico onde a vida quase não existe

Se você imagina um oceano repleto de baleias e peixes exóticos nadando por ali, a realidade científica vai te surpreender.

Continua após a publicidade

O Ponto Nemo é considerado um verdadeiro deserto biológico marinho devido ao comportamento das suas correntes locais.

O movimento da água impede que os nutrientes do fundo cheguem até a superfície, tornando a sobrevivência de qualquer espécie quase impossível.

O cemitério de espaçonaves da Nasa no fundo do mar

Por ser uma região sem vida marinha e totalmente rota de fuga de navios comerciais, o local ganhou uma utilidade espacial fascinante.

Continua após a publicidade

A Nasa e outras agências internacionais transformaram o Ponto Nemo no maior cemitério subaquático de lixo espacial do mundo.

Quando satélites antigos ou pedaços de foguetes perdem a utilidade, eles se tornam um perigo real se continuarem girando na órbita terrestre.

Mais de 260 máquinas espaciais descansam no local

A engenharia espacial calcula o combustível restante desses aparelhos gigantescos para fazê-los mergulhar diretamente no Ponto Nemo.

Continua após a publicidade

Mapeamentos estimam que mais de 260 naves, laboratórios e satélites já foram descartados nessa mesma região nas últimas cinco décadas.

Relíquias da história da astronomia como a estação soviética Mir e fragmentos da Skylab repousam para sempre naquelas profundezas escuras.

O próximo gigante a descansar no fundo do Pacífico

O fluxo de descarte tecnológico nessa zona de exclusão total não para de crescer com os avanços da exploração moderna.

Continua após a publicidade

A atual e famosa Estação Espacial Internacional (EEI) já tem data de validade e destino final traçados pelos cientistas.

O plano oficial das agências espaciais é tirá-la de órbita e direcionar sua queda para o Ponto Nemo no ano de 2031.