Portuários pagam do próprio bolso por cursos que deveriam ser gratuitos

Capacitação seria importante para melhorar comunicação entre trabalhadores de porão e de costado com tripulantes das embarcações

Representante da Estiva fala em 'discriminação' e pede curso de inglês para avulsos há anos

Representante da Estiva fala em 'discriminação' e pede curso de inglês para avulsos há anos | Flickr Informativo do Estivador

O presidente do Sindicato dos Estivadores de Santos, São Vicente, Guarujá e Cubatão, Bruno José dos Santos, disse que “há anos” vem pedindo a promoção de cursos de inglês para os trabalhadores avulsos.

Continua após a publicidade

Essa capacitação seria importante a fim de melhorar a comunicação entre os trabalhadores de porão e de costado com os tripulantes das embarcações, em um ambiente onde a língua inglesa é regra. E ampliaria a segurança das operações.

Mais: Bruno afirma que os próprios trabalhadores acabam pagando por cursos paralelos, quando, na verdade, deveriam receber bolsa-auxílio do Fundo de Desenvolvimento do Ensino Profissional Marítimo para se capacitar.

“Há anos peço um curso que ensine o trabalhador a falar inglês. Mas tem muita coisa errada, muita discriminação”, diz o sindicalista.

Continua após a publicidade

“A gente presta serviço em pá carregadeira e retroescavadeira e o próprio trabalhador teve que pagar por esses cursos”, completa Bruno.

O representante da Estiva diz que perdeu a conta das vezes que pleiteou a ampliação na oferta de capacitação para os portuários: “O que eles querem é precarizar o trabalho”.

Bruno entende que a negligência é parte de uma estratégia: “Foram erros provocados principalmente pelo Sergio Aquino para que eles tivessem o que falar para mudar a lei. Então, agora eles jogam tudo em cima do trabalhador”.

A Gazeta procurou o OGMO-Santos, mas os representantes do órgão não foram localizados porque estão fora do Brasil. 

Continua após a publicidade

Documento da Marinha cita 121 cursos nos portos do Brasil em 2024
 
Aprovado em dezembro do ano passado pelo vice-almirante Sergio Renato Berna Salgueirinho, o Programa do Ensino Profissional Marítimo para os Portuários (PREPOM) previa a realização de 121 cursos e 36 treinamentos “ostensivos” ao longo deste ano.

No documento assinado pelo vice-almirante, atual comandante do 4º Distrito Naval, está definido que “o Ensino Profissional Marítimo para Portuários tem, como premissa básica, a formação e qualificação profissional do trabalhador portuário avulso, habilitando-o para o exercício das atividades referentes à operação portuária”.

E esse conteúdo custeado pelo PREPOM seria oferecido por 24 Órgãos Gestores de Mão de Obra (OGMOs) em vários portos brasileiros. A programação previa a oferta de 1.852 vagas.

Continua após a publicidade

Para os trabalhadores do cais santista, a projeção era de 25 cursos ao longo de 2024, a serem ministrados pelo OGMO Santos. No total, seriam 570 vagas disponíveis. E uma das exigências é que os interessados na capacitação tenham ao menos dez anos de registro ou cadastro atestado pelo OGMO.

Entre os cursos projetados para Santos em 2024, 15 versam sobre segurança e saúde no trabalho portuário (CESSTP), três são dirigidos a interessados em operar tratores e pás carregadeiras (COTPC), três à operação de empilhadeiras de pequeno porte (COEPP) e outros três ao trabalho com escavadeira hidráulica (COEH).

Para os futuros operadores de empilhadeiras de pequeno porte, a carga horária é de 33 horas, mas os cursos ocorreram em julho/agosto. Já para os interessados em operar as escavadeiras hidráulicas, a carga era de 21 horas, com início previsto para outubro e novembro.

Continua após a publicidade

O CEESSTP tem carga de 24 horas e uma turma iniciando no final deste mês. A última turma para o curso em trator e pá carregadeira começaria na quarta-feira (13/11), com carga de 24 horas.

Espírito Santo (14), Rio Grande (9) e Paranaguá (9) seguiam com a maior quantidade de cursos disponíveis. O outro porto paulista, em São Sebastião, contaria com apenas um curso e dez vagas.