Prefeitura de Fartura (SP) usou R$ 1,1 milhão de Emenda Pix de obras para pagar cachês de shows sertanejos, aponta TCE

Recurso repassado pela União ao município de Fartura (SP) para investimentos em infraestrutura foi desviado para contratar atrações como Jorge & Mateus; caso foi comunicado ao Ministério da Gestão e denunciado pela atual gestão

Dupla Jorge & Mateus recebeu R$ 556 mil / Divulgação

Dupla Jorge & Mateus recebeu R$ 556 mil / Divulgação

Um repasse federal de R$ 1,1 milhão em Emenda Pix, destinado originalmente para investimentos em obras e instalações públicas no município de Fartura, no interior de São Paulo, foi utilizado pela gestão municipal para custear shows de artistas sertanejos.

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A irregularidade foi identificada pelo Tribunal de Contas do Estado de São Paulo (TCE-SP) e notificada ao governo federal.

Entenda o caso e a destinação dos recursos da Emenda Pix

A verba em questão faz parte de uma indicação orçamentária enviada pelo ex-deputado federal Samuel Moreira (PSD-SP). Embora o município de Fartura tenha aprovado orçamento fixando o recurso na rubrica de “obras e instalações”, o montante foi direcionado para cobrir o cachê de atrações musicais da Expofar (Exposição Feira Agropecuária de Fartura), realizada em abril de 2024.

Os pagamentos efetuados com a verba pública incluem os seguintes shows:

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  • Jorge & Mateus: R$ 556 mil;
  • Ícaro & Gilmar: R$ 344 mil;
  • Clayton & Romário: R$ 240 mil.

As contratações ocorreram durante o mandato do então prefeito Luciano Peres (PSDB), conhecido como Luciano Filé.

Em nota, o prefeito Samuel Moreira afirmou que “nunca destinou emendas para a realização de shows e espera que os fatos sejam apurados e que as medidas cabíveis sejam tomadas”.

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Denúncia e falta de atestado de regularidade

O uso dos recursos foi levantada e comunicada às autoridades após a troca de comando na prefeitura, assumida pelo atual gestor Marcão do Haras (PSD). A administração informou a situação de desvio de finalidade ao Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos (MGI) e ao TCE-SP.

Segundo o MGI, a prestação de contas enviada pela prefeitura ainda não recebeu atestado de regularidade devido às inconsistências na aplicação do dinheiro.

O uso das chamas “Emendas Pix” (transferências especiais) está sob forte escrutínio de órgãos de controle e do Supremo Tribunal Federal (STF) devido à exigência de maior transparência e rastreabilidade na destinação das verbas federais.