A construção de um novo terminal de ônibus próximo à Estação da Luz deve marcar o início das intervenções para transferir a sede do governo de São Paulo para a região central da capital.
Previsto para 2028, o equipamento substituirá o Terminal Princesa Isabel, que será demolido para permitir a ampliação da praça de mesmo nome e a criação da esplanada central do futuro complexo administrativo.
O novo terminal será instalado em um terreno público que atualmente funciona como estacionamento de viaturas da Polícia Civil. Com investimento estimado em R$ 41,7 milhões, a obra deve começar em 2027. A estrutura ficará fora do perímetro do Centro Administrativo, previsto para os Campos Elíseos, mas será necessária para liberar a área ocupada pelo Princesa Isabel.
Atualmente, o terminal atende 16 linhas de ônibus e cerca de 7 mil passageiros por dia. A transferência das operações só ocorrerá quando a nova estrutura estiver concluída e em funcionamento.
A concessionária MEZ-RZK Novo Centro também estuda construir um edifício residencial sobre a laje do novo terminal. A empresa informou que a proposta depende de análises técnicas, urbanísticas e legais antes de ser apresentada ao governo estadual.
Novo terminal terá conexão com trens e metrô
Com aproximadamente 6 mil metros quadrados, o novo terminal ocupará uma área 43% menor que a do Princesa Isabel, que tem 10,6 mil metros quadrados. O projeto prevê três plataformas para embarque de passageiros e uma operacional. O acesso principal será pela avenida Cásper Líbero, com a parte posterior voltada para a Rua Brigadeiro Tobias.
A proximidade com a Estação da Luz permitirá a integração com a rede de transporte sobre trilhos, incluindo a Linha 4-Amarela do Metrô.
Por causa da redução de área, parte das linhas que atualmente operam no Princesa Isabel será redistribuída. Segundo a SPTrans, dez das 16 linhas serão transferidas para o Terminal Luz. As outras seis passarão a operar no Terminal Amaral Gurgel e na Praça da Luz, com ajustes pontuais nos itinerários.
Praça Princesa Isabel será transformada em esplanada
Com a retirada do terminal, a área ocupada pelos ônibus será incorporada à Praça Princesa Isabel, que deverá se tornar a esplanada central do Centro Administrativo. A proposta também prevê a remoção das grades instaladas no entorno, para restabelecer o acesso livre da população ao espaço público.
A praça foi cercada em 2022, após sucessivas ocupações por usuários e traficantes de drogas. Após a transferência das linhas de ônibus, a concessionária deverá iniciar a construção de uma garagem subterrânea com quatro pavimentos e capacidade para 1.043 veículos. No total, o complexo administrativo terá 4,5 mil vagas de estacionamento.
As intervenções também devem modificar a circulação nas ruas próximas. A rua Guaianases deverá ser incorporada à área de convivência da praça, ampliando o espaço destinado aos pedestres. Já a avenida Rio Branco continuará aberta ao tráfego de veículos, mas passará por uma requalificação, com nivelamento entre a pista e as calçadas.
Centro Administrativo terá investimento de R$ 6 bilhões
O novo Centro Administrativo será construído nos Campos Elíseos para reunir secretarias e órgãos estaduais que atualmente funcionam em mais de 40 endereços. O projeto prevê sete edifícios e dez torres, com capacidade para receber cerca de 22 mil servidores, além da restauração de 17 imóveis tombados pelo patrimônio histórico.
Entre os edifícios históricos está o Palácio dos Campos Elíseos, que abrigará o gabinete do governador. A sede do Executivo paulista funciona há mais de 60 anos no Palácio dos Bandeirantes, no Morumbi.
O investimento estimado no complexo é de R$ 6 bilhões, por meio de uma parceria público-privada (PPP) com duração de 30 anos. O contrato foi assinado em 22 de outubro com o consórcio MEZ-RZK Novo Centro. A previsão é que o conjunto seja entregue até o fim de 2030, mas as principais obras dos edifícios administrativos podem avançar até 2031.
A concessionária também será responsável pelos processos de desapropriação, indenização e reassentamento necessários à implantação do projeto. Essa etapa deve ocorrer ao longo de 2027, paralelamente à obtenção das licenças urbanísticas e ambientais. Além dos prédios públicos, o complexo poderá ter espaços comerciais, lojas, publicidade, estacionamento e eventual comercialização de direitos de nome.
