Proteína descoberta no Japão pode ajudar a emagrecer ao controlar a vontade de comer alimentos gordurosos

Descoberta pode abrir caminho para novos tratamentos contra a obesidade ao atuar em mecanismos ligados ao controle do apetite e à preferência por gordura

Lanche gorduroso

/Natan Machado Cientistas descobrem proteína ligada à vontade de comer gordura e apontam novo caminho para emagrecer /Fotografia Gastronômica/Pexels

Uma proteína descoberta por pesquisadores no Japão pode abrir um novo caminho para o controle da vontade de comer alimentos gordurosos e, futuramente, para tratamentos contra a obesidade.

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O estudo identificou uma relação entre a OPA1 e neurônios envolvidos na regulação do apetite, levantando a possibilidade de explorar esse mecanismo em novas estratégias para emagrecimento.

A descoberta, porém, ainda não representa uma solução rápida para perder peso.

Os testes foram realizados em camundongos, e os resultados precisam ser investigados para saber se o mesmo mecanismo também ocorre em seres humanos.

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Mesmo assim, o experimento chamou atenção.

Os animais geneticamente modificados para não produzir OPA1 em determinados neurônios passaram a demonstrar maior preferência por alimentos gordurosos e ganharam peso mais rapidamente do que os camundongos do grupo de controle.

Com o tempo, esses animais desenvolveram obesidade.

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O efeito foi ainda mais evidente nas fêmeas, uma diferença que também apareceu quando os pesquisadores avaliaram a resposta dos animais a um medicamento utilizado contra a obesidade.

Proteína está ligada ao controle do apetite

A OPA1 está presente em todo o organismo e é considerada importante para o funcionamento das mitocôndrias, estruturas responsáveis pela produção de energia dentro das células.

Pesquisas anteriores já haviam apontado que alterações nessa proteína poderiam estar relacionadas a mudanças nos hábitos alimentares e à obesidade em animais.

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No novo estudo, os cientistas decidiram observar especificamente a atuação da OPA1 em neurônios que possuem o receptor de melanocortina 4, conhecido como MC4R.

Essas células participam de mecanismos relacionados ao controle do apetite e da regulação energética do organismo.

A hipótese dos pesquisadores é que a falta ou o funcionamento inadequado da OPA1 possa comprometer a atividade desses neurônios.

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Uma possível explicação seria a redução da energia fornecida pelas mitocôndrias, o que afetaria o funcionamento das células envolvidas no controle da alimentação.

Dessa forma, a pesquisa não aponta simplesmente para uma proteína capaz de fazer alguém emagrecer.

O interesse está na possibilidade de que alterações nesse mecanismo influenciem a preferência por alimentos ricos em gordura e, consequentemente, contribuam para o ganho de peso.

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O que aconteceu quando os animais receberam medicamento?

Os pesquisadores também quiseram saber se a ausência da OPA1 impediria completamente a ação do receptor MC4R.

Para isso, os camundongos foram tratados com um medicamento para obesidade.

Nos machos, o tratamento foi eficaz tanto no grupo que possuía a proteína quanto entre os animais sem OPA1 nos neurônios estudados.

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Já nas fêmeas sem a proteína, o medicamento não apresentou o mesmo efeito.

A diferença entre os sexos chamou a atenção da equipe e pode ajudar a direcionar novas pesquisas sobre a relação entre OPA1, controle do apetite e obesidade.

Segundo Shigenobu Matsumura, um dos autores do estudo, as diferenças observadas nas respostas à OPA1 e na suscetibilidade à obesidade podem contribuir para o desenvolvimento de tratamentos que considerem esses fatores.

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Descoberta pode ajudar quem quer emagrecer?

O possível benefício para o emagrecimento está, justamente, na chance de compreender melhor como o cérebro participa da preferência por alimentos gordurosos.

Se o mecanismo identificado nos camundongos também for confirmado em humanos, a OPA1 poderá se tornar um alvo para o desenvolvimento de novas abordagens contra a obesidade.

Ainda não é possível afirmar, entretanto, que aumentar ou modificar a OPA1 faça uma pessoa perder peso ou deixe de desejar alimentos gordurosos.

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A pesquisa não testou esse efeito em humanos e também não estabeleceu um tratamento baseado na proteína.

Os resultados foram divulgados na FASEB Journal, em maio, e representam uma etapa inicial de investigação.

A partir deles, novos estudos poderão avaliar se a relação entre OPA1, preferência por gordura e controle do peso também existe no organismo humano.

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Se isso for confirmado, a descoberta poderá contribuir para tratamentos mais personalizados contra a obesidade, especialmente diante das diferenças observadas na resposta entre machos e fêmeas durante os experimentos.