Ele pode estar parado há anos, com a pulseira gasta, escondido no fundo de uma gaveta ou dentro de uma caixa que ninguém abre há muito tempo. Ainda assim, aquele relógio antigo da família pode valer bem mais do que parece.
No mercado de colecionadores, a idade conta, mas está longe de ser o único fator. Marca, raridade, estado de conservação, material da caixa, originalidade e procedência ajudam a definir quanto interesse uma peça pode despertar.
Sylvio Rolim, especialista em relógios há mais de 40 anos, explica que o valor normalmente aparece na combinação desses elementos. “Em muitos casos, o valor não está só na marca ou no material, mas na combinação entre engenharia, design, estado de conservação, originalidade e procedência”, afirma.
O que faz diferença
Um relógio antigo não se torna valioso apenas porque passou décadas guardado. Modelos de séries limitadas, referências fora de linha e peças ligadas a universos como automobilismo, aviação, esportes e exploração espacial costumam chamar mais atenção.
Colecionadores também observam se os componentes continuam originais. Mostrador, ponteiros, caixa e mecanismo podem pesar na avaliação, principalmente em peças mais antigas.
Até intervenções bem-intencionadas podem atrapalhar. Uma restauração malfeita ou um polimento excessivo, por exemplo, pode alterar detalhes importantes e reduzir o interesse de quem procura originalidade.
Antes de mexer
Encontrou um relógio antigo em casa? O primeiro impulso pode ser limpar, abrir ou tentar fazê-lo funcionar. Mas essa nem sempre é a melhor ideia.
Sem desmontar a peça, já dá para observar informações importantes, como a marca no mostrador, o nome da coleção, inscrições no fundo da caixa e eventuais números de série ou referência.
Documentos também ajudam. Caixa original, certificado, nota fiscal antiga ou registros de manutenção podem facilitar a identificação e dar mais contexto à história do relógio.
Outro detalhe está no material. Peças feitas de ouro, prata ou platina podem ter valor pelo próprio metal, além do possível interesse histórico ou de coleção.
Se o relógio estiver parado, o cuidado deve ser ainda maior. Forçar a corda depois de anos sem uso pode causar danos ao mecanismo.
Algumas marcas se destacam
No mercado vintage, nomes como Omega, Cartier, Heuer e Piaget aparecem com frequência entre peças valorizadas. Dependendo do modelo, da conservação e da raridade, alguns exemplares podem alcançar milhares de reais.
A Rolex também tem referências bastante procuradas, como Datejust, Submariner, GMT-Master e Daytona. Segundo Sylvio, determinados modelos antigos podem atingir valores muito superiores, principalmente quando estão bem preservados e mantêm características originais.
Na alta relojoaria, marcas como Patek Philippe, Audemars Piguet, Blancpain, Breguet e H. Moser & Cie. também aparecem em leilões internacionais com cifras elevadas.
Isso não significa, porém, que todo relógio antigo seja uma relíquia. A diferença costuma estar nos detalhes.
Por isso, antes de descartar uma peça herdada ou esquecida há anos, vale olhar com mais atenção. Às vezes, uma inscrição no fundo da caixa, um certificado antigo ou um modelo fora de linha pode mudar completamente a história daquele relógio.






