A PM Gisele é tema de uma nova etapa judicial nesta segunda-feira (5/10), em São Paulo. O tenente-coronel Geraldo Neto será ouvido presencialmente pela Justiça após a produção de uma nova perícia sobre as circunstâncias da morte da soldado.
Interrogatório de Geraldo Neto ocorre nesta segunda
Geraldo Neto tem interrogatório marcado para as 13h desta segunda. A audiência ocorre no Fórum Criminal da Barra Funda, na Zona Oeste de São Paulo.
O oficial é réu por feminicídio e fraude processual. Ele está preso e nega ter cometido o crime contra Gisele Alves Santana.
O interrogatório acontece depois de novos elementos periciais entrarem no processo. A análise foi feita pelo Instituto de Criminalística (IC), órgão responsável pela produção de provas técnicas em investigações criminais.
Novo laudo analisa disparo que matou PM Gisele
O novo laudo avaliou a dinâmica do disparo e a posição em que Gisele foi encontrada no apartamento do casal. Segundo a perícia, os testes realizados não são compatíveis com a hipótese de que a soldado tenha feito o disparo contra a própria cabeça.
Os peritos também analisaram a posição da arma. O documento aponta que ela estava sobre um guarda-roupa com aproximadamente dois metros de altura.
Gisele tinha 1,65 metro. A perícia também considerou a trajetória do projétil, que atravessou a cabeça da esquerda para a direita. A soldado era destra.
Perícia também avaliou a versão apresentada pelo réu
Geraldo afirmou durante a investigação que estava no banheiro quando ouviu o disparo. Segundo o novo laudo, a posição indicada pelo oficial não permitiria que ele visualizasse a esposa caída a partir do box.
O Instituto de Criminalística informa que suas perícias servem para analisar vestígios e produzir elementos técnicos destinados à instrução de processos criminais. O órgão também possui áreas especializadas em crimes contra a pessoa e exames relacionados a disparos de arma de fogo.
O que aconteceu com a PM Gisele
Gisele foi encontrada ferida por um tiro na cabeça no apartamento onde morava com Geraldo e a filha. Ela recebeu atendimento médico e foi levada ao Hospital das Clínicas, mas morreu.
A investigação policial afastou a hipótese inicial de suicídio e apontou o tenente-coronel como responsável pela morte. A prisão preventiva de Geraldo ocorreu em março, após a reunião de elementos periciais e investigativos pelas polícias de São Paulo.
Segundo o Ministério Público, o crime teria relação com ciúmes e comportamento possessivo. Geraldo nega essa versão e mantém a afirmação de que Gisele tirou a própria vida.
A Polícia Científica explica que a prova pericial tem papel central em crimes que deixam vestígios. Os exames podem ajudar a reconstruir a dinâmica de uma ocorrência e esclarecer como determinado fato aconteceu.
O depoimento desta segunda-feira deve acrescentar uma nova etapa ao processo que apura a morte da PM Gisele. A Justiça ainda deverá analisar as provas reunidas e os argumentos apresentados pelas partes antes do julgamento.
