Renda média do trabalho é a pior dos últimos 9 anos, segundo IBGE

Após a pandemia, os novos empregos têm chegado com salários menores, o que resultou na menor renda média em quase uma década

Movimentação centro de São Paulo

Movimentação centro de São Paulo | Willian Moreira/Futura Press/Folhapress

Apesar de a taxa de desemprego ter caído para 12,2% no Brasil, dados divulgados nesta terça-feira (28) mostram que os trabalhadores têm recebido salários menores, com uma renda média do trabalho similar à de 2012.

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Essa é uma das conclusões da Pnad Contínua (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua), cujos dados foram divulgados nesta terça-feira (28) pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). 

No trimestre até outubro, a renda média real, habitualmente recebida pelos trabalhadores ocupados, foi estimada em R$ 2.449 por mês. É o valor mais baixo de todos os trimestres da série histórica do IBGE, iniciada em 2012. 

Na comparação com o trimestre anterior, finalizado em julho de 2021, a queda no rendimento foi de 4,6%. Em relação a igual intervalo de 2020 (agosto a outubro), a retração foi ainda maior, de 11,1%. 

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Os dados do instituto levam em conta a inflação, que ganhou força ao longo de 2021, rompendo a barreira de dois dígitos no acumulado de 12 meses. 

A disparada dos preços é justamente um dos fatores que reduzem a renda média e o poder de compra da população ocupada, indicou a coordenadora de Trabalho e Rendimento do IBGE, Adriana Beringuy. 

Além da pressão inflacionária, a criação de vagas com salários mais baixos, em grande parte associada ao mercado informal, também ajuda a explicar o rendimento inferior, de acordo com a analista. 

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“A expansão da ocupação não tem sido acompanhada pelo crescimento do rendimento”, afirmou Adriana.
O economista Daniel Duque, pesquisador do FGV Ibre (Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas), classifica como “bem ruim” o cenário para a renda dos trabalhadores. 

“Isso vem tanto pela inflação mais alta quanto pela recuperação de postos de trabalho como os por conta própria e informais”, observa.

Pela série do IBGE, o maior rendimento médio foi registrado no país entre maio e julho de 2020: R$ 2.799. À época, a fase inicial da crise sanitária afastou do mercado principalmente os trabalhadores com menor remuneração, dizem analistas. 

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Assim, a renda de quem conseguiu permanecer empregado subiu na média. Além disso, a inflação estava em nível inferior ao atual, impactando menos o bolso dos brasileiros. 

“A mistura de atividade econômica fraca e inflação persistente jogou a renda para baixo. O rendimento é o menor da série, um problema seríssimo. Desde 2012, o brasileiro não ganha tão pouco”, analisa o economista-chefe da Necton Investimentos, André Perfeito. 

Segundo os dados divulgados pelo IBGE, a taxa de desemprego caiu para 12,1%, no trimestre até outubro, em razão do aumento da população ocupada com algum tipo de trabalho no país. Mesmo assim, 12,9 milhões de profissionais ainda estavam desempregados no período. 

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Pelas estatísticas oficiais, uma pessoa é considerada desocupada quando não tem trabalho e segue à procura de novas oportunidades. O levantamento do IBGE considera tanto o setor formal quanto o informal. 

No trimestre anterior, finalizado em julho de 2021, a taxa de desocupação estava em 13,7%. Um ano antes, entre agosto e outubro de 2020, era de 14,6%. 

A taxa de desemprego estimada pelo instituto até outubro de 2021 (12,1%) ficou abaixo das expectativas do mercado financeiro. Analistas consultados pela agência Bloomberg projetavam indicador de 12,3%. 

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Nesse período, a população ocupada com algum tipo de trabalho chegou a 94 milhões de pessoas no país. O crescimento foi de 3,6% (3,3 milhões) frente ao trimestre anterior, até julho. 

O setor informal respondeu por mais da metade das novas vagas. Dos 3,3 milhões a mais de ocupados até outubro, frente aos três meses anteriores, 54,1% (1,8 milhão) atuavam sem carteira assinada ou CNPJ. 

“Houve momentos em que essa variação da informalidade foi bem maior. Mesmo assim, ainda responde por mais da metade da recuperação da ocupação”, apontou a coordenadora de Trabalho e Rendimento do IBGE, Adriana Beringuy. 

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Até outubro, o Brasil tinha 38,2 milhões de informais. O número correspondia a 40,7% da população ocupada (94 milhões) com algum tipo de trabalho. A maior taxa de informalidade da série histórica, iniciada em 2012, foi registrada de maio a julho de 2019 (40,9%). 

O IBGE indicou que também houve aumento na população ocupada com algum tipo de vínculo formal. O emprego com carteira assinada, por exemplo, chegou a 33,9 milhões, crescimento de 4,1% frente ao trimestre anterior. Isso significa 1,3 milhão de pessoas a mais –ou cerca de 40% do total de 3,3 milhões a mais de ocupados. 

Para Daniel Duque, do FGV Ibre, o desemprego tende a seguir em baixa pelo menos até o primeiro trimestre de 2022. Porém, em seguida, o cenário deve ficar mais complicado, diz o pesquisador. É que, segundo ele, os recentes sinais de fragilidade da economia tendem a atingir o mercado de trabalho com o passar dos meses. 

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“Há uma demora para os efeitos da economia serem sentidos no mercado de trabalho”, comenta Duque. 

No terceiro trimestre de 2021, período com os dados mais recentes à disposição, o PIB (Produto Interno Bruto) recuou 0,1% no Brasil, renovando os sinais de estagnação. Foi a segunda baixa consecutiva. 

Em meio a esse cenário, as previsões para o desempenho da atividade econômica em 2022 vêm sendo revisadas para baixo. 

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Analistas do mercado financeiro passaram a projetar crescimento inferior a 0,5% para o PIB do próximo ano, conforme o boletim Focus, divulgado pelo BC (Banco Central) na segunda-feira (27). A estimativa é de avanço de 0,42%.