As obras da avenida perimetral, em Santos, têm atrapalhado a vida dos moradores do Bairro do Estuário. Essa foi a denúncia de Tata Kitu Sobu, sacerdote de Kimbanda, morador de uma sobreposta, localizada na região, que está enfrentando problemas por conta do uso da ferramenta conhecida como ‘bate-estaca’ no projeto.
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De acordo com o sacerdote, as obras se iniciaram a cerca de três semanas. Ao encontro disso, Tata afirma que a idealização é fruto de uma parceria entre a empresa que possui galpões no trecho, a Eldorado Brasil Celulose, e a responsável pela manutenção da via, a Autoridade Portuária de Santos (APS). Ainda de acordo com ele, o grande objetivo da ação é fazer uma passarela no cruzamento entre a rua Coronel Raposo e a avenida, além da adição de um anel viário no trecho.
O bate-estaca está entre os equipamentos utilizados pela equipe de construção. Em conteúdo liberado para a Reportagem do Diário do Litoral é possível ver como a ação no solo cria temores e atrapalha o dia a dia dos moradores do imóvel. O instrumento funciona como uma espécie de martelo que causa forte impacto no chão. “ Os responsáveis pela obra vieram aqui antes dela começar. Aqui é uma sobreposta, foi feita uma vistoria no térreo, e eu pedi para que eles me chamassem para fazer na parte alta. Mas isso não aconteceu”, explicou.
De acordo com especialistas e informações preliminares, o uso do bate-estaca pode causar danos em outros imóveis através do impacto da perfuração. No caso de Tata, uma janela está emperrada e uma outra está com o vidro trincado por conta do aumento dos tremores.
Somado a isso, ele conta que precisou atrasar os planos de reforma por receio de perder de vista algum problema do imóvel. “ Eu ia iniciar a reforma, pintura, trocar piso, batentes e janelas, mas fiquei com medo de esconder rachaduras que possam parecer. Acredito que já tenha aparecido por conta da janela que agora abre com muita dificuldade”, explicou.
TECNOLOGIA ULTRAPASSADA.
A experiência do proprietário da sobreposta, o fez duvidar do uso da ferramenta. Antigo morador do Bairro Aparecida, ele conta que uma obra de um edifício não utilizou o bate-estaca, mas sim uma outra tecnologia que evitou danos em terrenos vizinhos. “ Eu digo que o bate-estaca é ultrapassado por conta de uma outra obra. Eu morava perto da Rua Alexandre Martins e lá utilizaram uma espécie de furadeira que abria o solo para a adição do concreto na construção de um prédio de mais de vinte andares”,finaliza.
RESPOSTAS.
Procurada pela Reportagem do Diário, a Eldorado Brasil Celulose, empresa responsável pela obra, explicou todos os objetivos do projeto. Além disso, lamentou os prejuízos causados ao imóvel do sacerdote.
A empresa informa que a etapa de bate-estaca será concluída neste sábado, 6 de janeiro e reforça que o novo anel viário vai gerar melhorias significativas no trânsito local e reduzir gargalos relacionados ao fluxo de veículos pesados.
Já a Autoridade Portuária de Santos afirma que o serviço conta com todas as licenças necessárias, que compreende o incômodo da vizinhança e também solicita paciência, em vista do benefício que advirá da reconfiguração da via entre o canal 4 e a Ponta da Praia, na região portuária.
