A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) reconheceu um erro de identificação e corrigiu o nome da empresa responsável pelo lote contaminado de leite condensado da marca La Vaquita. Apesar da mudança, o lote 183/3 B segue proibido, por conter níveis perigosos da bactéria Staphylococcus aureus, que pode causar intoxicação alimentar grave.
Em nova publicação divulgada na sexta-feira (6/2), a agência esclareceu que a fabricante do produto não é a Apti Alimentos, como informado inicialmente, mas sim a Indústria, Comércio, Importação e Exportação de Alimentos Multlac Ltda, com sede em Mato Grosso do Sul.
Anvisa corrige fabricante após erro inicial
A correção foi publicada após retificação da Resolução-RE nº 405, de 30 de janeiro de 2026, que havia atribuído de forma equivocada a responsabilidade pelo lote contaminado.
Segundo a nova versão do ato, disponível no Diário Oficial da União, a Multlac é a fabricante real do produto considerado impróprio para consumo.
A Anvisa também publicou um comunicado oficial confirmando a correção e mantendo a determinação de recolhimento do lote.
O que diz o laudo que motivou o recolhimento
O laudo técnico que embasou a decisão aponta a presença da bactéria Staphylococcus aureus em concentração de 2,5 × 10³ UFC/g, valor acima do permitido pela Instrução Normativa nº 161/2022 da Anvisa. Por isso, o produto foi classificado como insatisfatório e impróprio para consumo humano.
Segundo o Laboratório Central de Saúde Pública (Lacen-RJ), a contaminação não altera cheiro, cor ou sabor do alimento, o que dificulta a identificação do risco pelo consumidor.
Dá para matar a bactéria fervendo?
Especialistas alertam que o principal risco está nas enterotoxinas produzidas pela bactéria. Essas substâncias são termorresistentes, ou seja, não são eliminadas mesmo após fervura ou uso do leite condensado em receitas como brigadeiro.
Os sintomas de intoxicação costumam surgir rapidamente, entre 30 minutos e 8 horas, e incluem:
- Vômitos intensos;
- Dor abdominal;
- Diarreia.
Erro na fabricação
O laudo técnico sugere que a contaminação pode ter ocorrido por duas vias na fábrica da Multlac:
- Falha na Higiene Humana: O Staphylococcus vive na pele e no nariz de humanos. Uma manipulação sem máscara ou luvas adequadas pode contaminar o lote;
- Falha no Equipamento: Higienização deficiente das máquinas que fazem o envase (colocam o leite na caixinha).
O que o consumidor deve fazer
A Anvisa reforça que o lote 183/3 B não deve ser consumido em nenhuma hipótese. Caso o produto esteja armazenado em casa, a orientação é descartar ou devolver ao estabelecimento onde foi adquirido.
Mesmo com a correção do nome da fabricante, o alerta sanitário permanece válido e o risco à saúde segue elevado.
